VÍRGULA: REGRAS BÁSICAS

Fala, galera!

Uma coisa é certa: uma das maiores dúvidas na hora de escrever redação é a tal da pontuação. Pensando nisso, pensei em postar aqui no SOU MAIS ENEM algumas dicas rápidas que costumam resolver boa parte dos seus problemas no momento de pontuar um texto.

Para começar, vamos àquele sinal de pontuação, normalmente, mais temido por vocês: A VÍRGULA.

Sabemos que há aqueles casos mais comuns, em que a vírgula não costuma gerar tantos questionamentos. Praticamente, convencionamos tais usos com a prática. Vamos lembrá-los rapidamente?

  • Isolamento do vocativo:

Professora, posso ir ao banheiro?

  • Separação de aposto:

Ana, a minha irmã mais velha, esteve aqui ontem.

  • Separação de elementos enumerados que desempenham a mesma função em uma frase:

Comprei bolsa, sapato, roupa, joias.

  • Isolamento de expressões de caráter explicativo ou corretivo:

Amanhã, ou melhor, depois de amanhã, falarei com meu chefe.

  • Separação de conjunções intercaladas:

Não havia, porém, ninguém na sala.

  • Segmentação do nome de lugar na indicação de datas:

Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2009.

  • Separação de termos coordenados assindéticos:

"Lua, lua, lua, lua,

por um momento meu canto contigo compactua..."  (Caetano Veloso)

  • Marcação de uma elipse, ou seja, uma omissão de um termo subentendido na frase (normalmente, um verbo):

Antônio prefere chocolate e eu, morango. (omissão do verbo preferir)

 

SE LIGA!

Podemos resolver boa parte dos nossos problemas com a vírgula se pensarmos na ORDEM DIRETA de uma frase. Mas o que isso significa? Basicamente, uma frase em ordem direta é aquela que apresenta:

SUJEITO --> PREDICADO (verbo + complementos + adjuntos adverbiais)

Vejam o exemplo a seguir:

Os manifestantes ocuparam o prédio ao longo da madrugada.

SUJEITO – “Os manifestantes”

PREDICADO – “ocuparam o prédio ao longo da madrugada” (“ocuparam” – verbo; “o prédio” – complemento verbal; “ao longo da madrugada” – adjunto adverbial de tempo)

Uma mudança nessa ordem promove o uso da vírgula. Observem:

Ao longo da madrugada, os manifestantes ocuparam o prédio.

Reparem que houve um deslocamento do adjunto adverbial para o começo da frase. Nesse caso, a vírgula faz-se necessária.

Observação:

Quando o adjunto adverbial deslocado tiver pequena extensão, o uso da vírgula passa a ser facultativo:

Hoje ficarei em casa.

Como saber exatamente a extensão de um termo de valor adverbial? Na dúvida, sempre utilizem a vírgula. Não custa nada.Cool

CUIDADO!

Nunca separem o sujeito do predicado nem o verbo de seus complementos por vírgula. Esses erros são bastante comuns em redação:

A maioria da população brasileira, apoiou o candidato. (INCORRETO)

Sujeito: “A maioria da população brasileira”

Predicado: “apoiou o candidato.”

Grande parte dos cidadãos brasileiros ainda reclama, da falta de apoio dos governantes. (INCORRETO)

Verbo: “reclama”

Complemento: “ da falta de apoio dos governantes.”


E se o período for composto? Como trabalhar com a vírgula?

A vírgula entre orações é utilizada, basicamente, nas seguintes situações:

  • Separar as orações subordinadas adjetivas explicativas:

Meu pai, que trabalha muito, quase não viaja.

  • Isolar as orações coordenadas sindéticas e assindéticas (exceto as iniciadas pela conjunção "e"):

Saí cedo, mas cheguei atrasado.

  • Isolar as orações intercaladas:

Ele, disse o garoto, não falou a verdade.

  • Separar orações subordinadas adverbiais (desenvolvidas ou reduzidas) antepostas à oração principal:

Quando eu cheguei, Maria já havia saído.

 

SE LIGA!

Nesse último caso, mais uma vez, levamos em consideração a ORDEM DIRETA da frase. A única diferença é que estamos lidando com um período composto. No entanto, o raciocínio deve ser o mesmo: reparem que a oração “Quando eu cheguei” tem valor ADVERBIAL e está antecipada em relação à principal (“Maria já havia saído”). Se invertêssemos a ordem, a vírgula poderia ser dispensada:

Maria já havia saído quando eu cheguei. (ORDEM DIRETA)

 

Vamos praticar?

 

QUESTÃO MODELO ENEM:

O cartaz a seguir fez parte de uma campanha de conscientização promovida pelo Governo de Minas e parcerias. Nele, observamos um discurso que busca chamar a atenção do leitor para a importância de se preservar a água.

 (www.google.com)

Após uma leitura mais cuidadosa, podemos dizer que:

a) a mensagem é pouco eficaz uma vez que se utilizam poucas marcas de interlocução no texto.

b) As expressões “meio-ambiente” e dia-a-dia” estão grafadas de acordo com a norma padrão da língua.

c) A pontuação do slogan é expressiva e cumpre com a norma padrão.

d) A função da linguagem predominante é a emotiva por se tratar de um texto com forte apelo sentimental.

e) Há um erro de pontuação no título, uma vez que o sujeito oracional “Quem ama” não poderia estar isolado por vírgula do predicado “cuida”.

 

 

Comentários:

A questão acima aborda diferentes assuntos, comuns em uma prova do ENEM. Vamos à análise das alternativas:

a) Marcas de interlocução, como verbos no imperativo (“Faça” e “passe”) e uso de pronomes em terceira pessoa (“sua”) são eficazes diante do apelo da campanha. O principal objetivo é chamar a atenção do público para a necessidade de preservação da água. Dessa forma, as marcas são fundamentais.

b) Ambas as expressões não devem ser utilizadas com hífen.

c) A pontuação, apesar de expressiva, não está correta. O sujeito (“Quem ama”) está separado do predicado (“cuida”) por uma vírgula.

d) A função da linguagem predominante é a apelativa, pois o foco da mensagem está nos receptores, interpelando-os.

e) Como dito acima, o uso da vírgula fere uma importante regra: não devemos separar o sujeito do predicado com esse sinal de pontuação.

Assim, o gabarito é a alternativa “E”.

 

E aí? Alguma dúvida? Gostaram das dicas?

Aguardem nosso próximo post!

Até a próxima!Wink



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