O USO DOS VERBOS "TER", "HAVER" E "EXISTIR"

Fala, galerinha!

Hoje, vamos falar de três verbos que atrapalham muita gente na hora da redação: TER, HAVER e EXISTIR. Sabemos que, na redação dissertativa argumentativa, devemos seguir a norma padrão, ou seja, culta. Nesse contexto, respeitar as regras de concordância verbal é fundamental. Preparados?!

VERBO TER

Vejam a tirinha a seguir do famoso personagem Garfield:

No segundo quadrinho, podemos perceber uma fala envolvendo o verbo “ter”:

“Eu sei onde tem doces.”

A frase em questão apresenta um erro comum: usar o “ter” com sentido de “existir”. Esse emprego é considerado coloquial, portanto, em uma redação, não deve ser feito.

Reescrevendo a frase, de acordo com a norma culta, teríamos:

Eu sei onde doces.

ou

Eu sei onde existem doces.

 

VERBO HAVER

  • Quando for usado no sentido de existir, é impessoal (mantém-se sempre no singular):

Havia muitas pessoas no colégio. (CORRETO)

Haviam muitas pessoas no colégio. (INCORRETO)

  • No caso de locuções verbais, tendo o verbo haver sentido de existir, o auxiliar mantém-se impessoal:

Deve haver muitas pessoas insatisfeitas com a situação. (CORRETO)

Devem haver muitas pessoas insatisfeitas com a situação. (INCORRETO)

  • Quando indicar tempo decorrido, o verbo haver também é impessoal:

dois meses não o vejo.

  • Quando equivaler a “ter”, o verbo haver é conjugado normalmente, concordando com o sujeito:

Elas haviam chegado cedo.

 

VERBO EXISTIR

  • O verbo existir não é impessoal, concordando normalmente com o sujeito da oração:

Existiam muitas pessoas insatisfeitas. (CORRETO)

Existia muitas pessoas insatisfeitas. (INCORRETO)

  • A mesma regra de pessoalidade se aplica nas locuções verbais:

Devem existir muitos alunos na escola ainda. (CORRETO)

Deve existir muitos alunos na escola ainda. (INCORRETO)

 

CAIU NO ENEM

(Enem 2012)

Entrevista com Marcos Bagno

Pode parecer inacreditável, mas muitas das prescrições da pedagogia tradicional da língua até hoje se baseiam nos usos que os escritores portugueses do século XIX faziam da língua. Se tantas pessoas condenam, por exemplo, o uso do verbo “ter” no lugar do verbo “haver”, como em “hoje tem feijoada”, é simplesmente porque os portugueses, em dado momento da história de sua língua, deixaram de fazer esse uso existencial do verbo “ter”.

No entanto, temos registros escritos da época medieval em que aparecem centenas desses usos. Se nós, brasileiros, assim como os falantes africanos de português, usamos até hoje o verbo “ter” como existencial é porque recebemos esses usos de nossos ex-colonizadores. Não faz sentido imaginar que brasileiros, angolanos e moçambicanos decidiram se juntar para “errar” na mesma coisa. E assim acontece com muitas outras coisas: regências verbais, colocação pronominal, concordâncias nominais e verbais etc. Temos uma língua própria, mas ainda somos obrigados a seguir uma gramática normativa de outra língua diferente. Às vésperas de comemorarmos nosso bicentenário de independência, não faz sentido continuar rejeitando o que é nosso para só aceitar o que vem de fora.

Não faz sentido rejeitar a língua de 190 milhões de brasileiros para só considerar certo o que é usado por menos de dez milhões de portugueses. Só na cidade de São Paulo temos mais falantes de português que em toda a Europa!

 (Informativo Parábola Editorial, s/d)

Na entrevista, o autor defende o uso de formas linguísticas coloquiais e faz uso da norma de padrão em toda a extensão do texto. Isso pode ser explicado pelo fato de que ele:

a) adapta o nível de linguagem à situação comunicativa, uma vez que o gênero entrevista requer o uso da norma padrão.

b) apresenta argumentos carentes de comprovação científica e, por isso, defende um ponto de vista difícil de ser verificado na materialidade do texto.

c) propõe que o padrão normativo deve ser usado por falantes escolarizados como ele, enquanto a norma coloquial deve ser usada por falantes não escolarizados.

d) acredita que a língua genuinamente brasileira está em construção, o que o obriga a incorporar em seu cotidiano a gramática normativa do português europeu.

e) defende que a quantidade de falantes do português brasileiro ainda é insuficiente para acabar com a hegemonia do antigo colonizador.

 

 

Comentários:

Como podemos perceber, o texto fala sobre a questão do respeito à norma culta e, dentre os fatores mencionados, está o uso do verbo “ter” com sentido de haver. Conforme acabamos de estudar, tal uso é coloquial. Na entrevista, Marcos Bagno defende o uso da língua de acordo com a situação comunicativa. Apesar de apoiar as informalidades em determinadas situações, utiliza a norma padrão em seu texto, por tratar-se de uma entrevista em que o padrão linguístico é o formal. Dessa forma, o gabarito é a alternativa A.

 

 

Lembrem-se: fiquem atentos ao uso adequado da Língua! Coloquialismos fazem parte do nosso discurso, porém, quando falamos em redação, é a NORMA CULTA que deve se priorizada.

Comentem à vontade - sem se preocupar tanto com a formalidade - afinal, estamos em um blog. Coloquialismos estão liberados!Laughing

Até nosso próximo encontro!

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