DICAS GERAIS DE PONTUAÇÃO - 02

Fala, galerinha!

A prova do ENEM se aproxima e a nossa preparação fica cada vez melhor! Como temos estudado nas últimas aulas, saber lidar corretamente com a pontuação faz toda a diferença no momento de construirmos uma redação bacana. Pensando nisso e cumprindo com a promessa feita no nosso último post, seguem os sinais de pontuação que faltavam:

  • Aspas
  • Travessão
  • Parênteses
  • Reticências


ASPAS

São empregadas para:

  • isolar palavras ou expressões que fogem à norma culta, como gírias, estrangeirismos, palavrões, neologismos, arcaísmos e expressões populares:


A mulher estava bolada.

Preciso de um feedback seu.

Vamos sair para bebemorar.

  • indicar uma citação textual:


Vargas terminou sua carta testamento assim: "Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História".

  • marcar uma ironia:


Nossa! A cópia está imperceptível.

  • caracterizar título de obras literárias ou artísticas:


Dom Casmurro é uma das obras mais famosas de Machado de Assis.

 

CoolDICA DE REDAÇÃO!

Normalmente, as aspas em redação são mais utilizadas em citações. Esse recurso textual é bastante valorizado pela banca de correção, pois mostra conhecimento de mundo por parte do candidato e capacidade de dialogar com outras áreas do conhecimento. Uma citação inteligente e coerente com a temática discutida enriquece seu texto. Fica a dica!

Já nos demais casos, como gírias, estrangeirismos, palavrões, neologismos, arcaísmos e expressões populares, não as utilizem. Expressões assim não são bem-vindas em um texto dissertativo argumentativo. 

 


TRAVESSÃO


1) O travessão simples:

  • inicia a fala de um personagem no discurso direto:


O filho perguntou:

- Mãe, quando vamos sair?

  • marca a mudança de interlocutor no diálogo:


- Professor, quanto tirei na prova?

- Dez.


2) O travessão duplo:

  • substitui as vírgulas, principalmente quando se quer dar ênfase ao termo intercalado:


O presidente representante do povo prometeu cumprir a promessa.

  • separa orações intercaladas:


Eu  disse o presidente cumprirei a promessa.

 


PARÊNTESES

Geralmente, colocamos entre parênteses informações consideradas acessórias. Entretanto, também devemos ficar atentos a outras situações em que os parênteses são utilizados. Podem ser empregados para:

  • isolar palavras, frases intercaladas de caráter explicativo e datas:


Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), muitos inocentes morreram.

  • destacar uma explicação:


Os períodos compostos podem ser formados por coordenação (independência sintática) ou por subordinação (dependência sintática).

  • marcar uma ironia ou uma proximidade com o leitor:


Os políticos sabem (ou pelo menos deveriam saber, caro eleitor) que representam os interesses do povo. No entanto, não cumprem (ou não querem cumprir) com seus deveres.

 

CoolDICA DE REDAÇÃO!


Evitem explorar muito o uso de parênteses em um texto dissertativo argumentativo. Percebam que, em sua maioria, as situações descritas acima não devem ser prioridade, visto que:

  1. se uma informação é acessória, torna-se dispensável no seu texto;
  2. a ironia, se não for sutil, pode tornar seu discurso muito subjetivo;
  3. não devemos nos direcionar ao leitor (marcas de interlocução devem ser evitadas);
  4. parênteses podem trazer uma certa informalidade ao texto, o que não é o ideal quando pensamos em redação. O discurso deve ser mais formal.


Portanto, evitem. Não custa nada!Wink

 


RETICÊNCIAS

As reticências são utilizadas para:

  • indicar dúvidas, hesitação ou interrupção do pensamento do falante:


Sabe...eu queria te falar que...esquece.

  • marcar uma interrupção de uma frase deixada gramaticalmente incompleta:


- Alô! Maria está?

- Agora não. Quem sabe se você ligar mais tarde...

  • marcar o fim de uma frase gramaticalmente completa com a intenção de sugerir prolongamento de ideia:


“Sua tez, alva e pura como um foco de algodão, tingia-se nas faces duns longes cor-de-rosa...(Cecília - José de Alencar).

  • indicar que parte de uma citação foi omitida:


“(...) nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada.” (Machado de Assis).

 

CoolDICA DE REDAÇÃO!


Evitem utilizar reticências na redação. Esse sinal de pontuação é marca de linguagem expressiva, isto é, emotiva. Além disso, “deixar uma ideia no ar” ou fragmentar frases não são recursos bem vistos em um texto dissertativo argumentativo.

 

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

(UERJ – adaptada)

MENSAGEM 1:

A ciência, para muitos, tem um lado maligno. Para alguns, estamos passando por uma nova Idade Média, onde a técnica alienante faz as vezes da religião católica. Até agora, minha conclusão é pessimista: por mais que violentemos nosso pensamento, nossa razão ainda estará subordinada ao desejo. E assim, não há certo ou errado. A ciência nos dá (ou melhor, vende) armas contra a natureza, que usamos contra nós mesmos, apenas isso. Não existe nada mais irracional que o trabalho científico dos dias atuais.

MENSAGEM 2:

Caro M., o que você entende exatamente por “ciência”? Um oráculo todo-poderoso e prepotente que diz aos  pobres e tolos homens o que está certo e o que é errado? Como pode dizer que ela nos dá armas contra a natureza? Não me vem à cabeça neste momento característica mais própria da natureza humana do que o modo científico de pensar. Você não consegue encontrar nada de científico no método de caça de um aborígene australiano? Ou então no modo de um crenacarore* do Amazonas tratar a terra para o cultivo? Você está claramente confundindo aplicação da tecnologia com ciência. Muitos filósofos têm tido problemas para separar uma coisa da outra (e muitos cientistas também). Se você acha que construir uma bomba atômica, por exemplo, é um trabalho científico, está enganado. É pura e simplesmente um trabalho tecnológico. É claro que ele depende do conhecimento científico, mas é impossível construir conhecimento científico visando sua aplicação imediata. Aqueles que, como você, confundem Igreja Católica da Idade Média com ciência, esquecem-se (ou não sabem) que esta última tem embutida em si um mecanismo de correção de erros, que é o motor que a move. (...)

*Crenacore: indivíduo pertencente à tribo indígena de mesmo nome.

 

Os parênteses são utilizados por ambos os autores para:

a) fazer ironias provocativas

b) acrescentar informação acessória

c) estabelecer intimidade com o leitor

d) preservar a informalidade da mensagem

e) isolar frases de caráter explicativo

 

 

Comentários:

Como podemos perceber, após uma leitura atenta das mensagens 1 e 2 e uma análise da intenção de ambos os autores, vemos que os parênteses indicam, claramente, uma crítica. Dessa forma, a alternativa que melhor descreve tal recurso é a letra “A” – fazer ironias provocativas.

 

Bem, espero ter conseguido esclarecer sobre os diferentes sinais de pontuação em um texto.

E não se esqueçam: uma redação corretamente pontuada ganha, sem dúvidas, pontos e destaque perante a banca de correção. Prestem atenção às dicas e trabalhem bem esses importantes recursos expressivos na dissertação de vocês.

E aí, vestibulandos? O que acharam da aula? Dúvidas, sugestões, elogios...postem aqui!

Afinal, este espaço é dedicado a vocês!Smile

 




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