A CRASE

Fala, galera!

A nossa aula de hoje vai tratar de um assunto que costuma gerar muitas dúvidas em redação: A CRASE.

Para começar, deem uma olhada na tirinha a seguir:

(Quino)

Na frase: “É pra isto que a gente vai todo dia à escola?”, podemos perceber o uso do sinal indicativo da crase. Mas será que tal construção está correta?

O que vocês acham?

Em primeiro lugar, a palavra crase vem do grego krasis, que por sua vez significa “fusão”. Na Língua Portuguesa, esse fenômeno acontece a partir da junção de vogais idênticas (a + a). Graficamente, essa fusão é representada por um acento grave, assinalado no sentido contrário ao acento agudo: À.

        Basicamente, pode ocorrer crase quando houver a fusão da preposição A com:

  • artigo definido “a(s)”:

Fui À praia.

Retornaremos ÀS festas.

  • as iniciais dos pronomes demonstrativos aquela(s), aquele(s), aquilo:

Fui ÀQUELE bar ontem.

  • o pronome relativo “a qual” e flexão (as quais):

Essa é a mulher À QUAL me referi.

  • o pronome demonstrativo a ou as (= aquela, aquelas):

Esta lapiseira é igual À que você me deu.

 

Acho que agora já podemos responder ao questionamento feito no começo do post: SIM, a construção está correta!Laughing

Na frase “É pra isto que a gente vai todo dia à escola”, temos a fusão da preposição “a” (a gente vai A algum lugar) com o artigo definido “A” que precede a palavra feminina “escola”.

Assim, temos:

REGRA GERAL:

Haverá crase quando o termo anterior for regido pela preposição “A” e o termo posterior admitir o artigo definido “A(s)”.

Observem os exemplos:

Eu me referia à professora.

Ela era alérgica à acetona.

Ele chegou às sete horas.

Ele chorava à medida que a namorada falava.

 

CASOS ESPECIAIS

1. Há crase nas expressões adverbiais formadas por palavras femininas, como "à tarde", "à noite", "à vontade", "à procura", "às pressas", "às escondidas", "à moda de" (mesmo que a expressão moda de esteja subentendida):

Eu fiquei à vontade.

Estou à procura de uma empregada.

João usa sapatos à moda de Luís XV.

Fez um gol à Pelé. (à moda de Pelé – expressão subentendida)

2. Palavras "casa" e "terra":

Não ocorre crase diante das palavras "casa" (no sentido de lar, moradia) e "terra" (no sentido de chão firme):

Voltamos tarde a casa.

O capitão desceu a terra.

SE LIGA! 

Entretanto, se tais palavras vierem especificadas, a crase acontece:

Voltamos tarde à casa da nossa tia.

O capitão desceu à terra da fantasia.

Vejam que as expressões "da nossa tia" e "da fantasia" especificam, ou seja, definem os respectivos vocábulos.

3. Nomes de lugar:

Pode haver ou não crase com nomes femininos que designam lugar, já que alguns aceitam o artigo a e outros não.

CoolDICA!

Para verificar se o nome do lugar admite ou não o artigo, pode-se utilizar o seguinte “macete”: ao formular a frase com o verbo “vir” e o nome do lugar em questão admitir a combinação “da” usa-se a crase, caso contrário, obtendo-se simplesmente preposição "de", não cabe o artigo, logo, não há crase.

Vejam:

Vou à Espanha. (Venho da Espanha)

Vou a Curitiba (Venho de Curitiba)

SE LIGA! 

Entretanto, se o nome do lugar vier determinado, haverá crase:

Vou à Roma antiga.

Vou à velha Ouro Preto.

CUIDADO!

Diante do pronome relativo que, geralmente, não ocorre crase, uma vez que esse pronome repele o artigo. No entanto, haverá crase se estiver precedido do pronome demonstrativo “a” ou “as” (=aquela, aquelas):

Esta é a mulher a que me referi.

Essa caneta é igual à que ganhei.

 

CASOS FACULTATIVOS:

  • antes de nomes de pessoas do sexo feminino:

Ele fez referência a (ou à) Maria.

  • antes de pronomes possessivos femininos:

Obedecerei a (ou à) sua ordem.

  • depois da preposição “até”:

Fomos até a (ou à) praia.

 

NÃO OCORRE A CRASE:

  • antes de verbo:

Ela começou a gritar de repente.

  • antes de palavras masculinas:

Maria tem mania de andar a pé.

  • antes de pronomes de tratamento, exceção feita a “senhora”, a “senhorita”  e a “dona”:

Dirigiu-se a V.S.a com aspereza

Dirigiu-se à senhora com aspereza.

  • antes de pronomes em geral:

Não vou a qualquer lugar.

Fiz alusão a esta professora.

Dirigiu-se a ele.

  • em expressões formadas por palavras repetidas:

Estamos frente a frente

  • quando o "a" vem antes de uma palavra no plural:

Não falo a pessoas prepotentes.

 

 

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO:

(PUC) A frase em que o acento grave indica corretamente a ocorrência de crase é:

a) Ele deve muito aos pais, que sempre lutaram ombro à ombro para garantir-lhe um bom tratamento médico.

b) Puseram a vítima e o acusado frente à frente, para o possível reconhecimento do agressor.

c) Acompanhou-o passo à passo durante sua estada no Brasil.

d) Quero que você fique bem à vontade para negar meu pedido, se não puder atendê-lo.

e) Ele sempre vem à pé, por isso costuma atrasar-se.

 

 

Comentários:

A única alternativa correta é a letra “D”. Nos demais casos, temos palavras masculinas e expressões formadas por palavras repetidas. Em ambas as situações, não devemos utilizar a crase.

 

 

E aí?! Alguma dúvida? Curtiram as dicas? Comentem aquiWink

 



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