O TEXTO JORNALÍSTICO

Fala, galera!

Hoje vamos discutir sobre texto jornalístico. Basicamente, esse gênero procura demonstrar circunstâncias a partir de uma análise de suas causas e de seus efeitos. Dependendo de seu propósito e da intenção de quem escreve, pode ser imparcial ou não. Normalmente, as ideias são trabalhadas de forma objetiva, apresentando um caráter informativo. Logo, a função da linguagem predominante costuma ser a referencial.

A NOTÍCIA

Uma notícia deve levar em consideração alguns fatores, como a proximidade do fato, o interesse pessoal, o impacto, as consequências, a oportunidade, o suspense, a originalidade, a repercussão, dentre outros. É preciso reconhecer três aspectos: a informação, a interpretação e a opinião. O objetivo é relatar acontecimentos recentes que despertem o interesse do público.

Uma notícia, geralmente, é composta de duas partes: o lead e o corpo.

Lead

O lead é a primeira parte, normalmente o primeiro parágrafo, em que é feito um resumo, no qual são fornecidas respostas a questões fundamentais do jornalismo: o quê (fatos), quem (personagens/pessoas), quando (tempo), onde (lugar), como e por quê.

Corpo

O corpo é a parte que apresenta o detalhamento do lead, dando ao leitor novas informações, em ordem cronológica ou de importância.

A linguagem

Normalmente, dá-se preferência a um discurso mais formal. No entanto, vale ressaltar que a linguagem utilizada na notícia varia de acordo com o meio de divulgação. No caso de um jornal impresso, por exemplo, há uma adaptação da linguagem de acordo com o público-alvo do veículo.

Segue um exemplo de notícia:

Blitz educativa

12/08/2013

Uma aula diferente fora da sala de aula, mas com um grau significativo por aprimorar a conscientização de jovens e adultos em relação à mistura perigosa entre álcool e direção. Foi assim que alunos e professores da Escola Municipal Gilberto Rezende Rocha Filho, de Gurupi, realizaram na tarde da última sexta-feira, 9, uma Blitz educativa com o tema: “Balada consciente”. Aproximadamente 80 crianças participaram do momento de conscientização e os trabalhos foram acompanhados por professores e servidores da escola. Na oportunidade os futuros motoristas falaram aos condutores de veículos sobre a combinação perigosa entre álcool e direção. Panfletos e cartazes confeccionados pelos próprios alunos foram entregues a cada motorista parado durante a blitz.

http://www.t1noticias.com.br

Notem o caráter de informatividade do texto acima. A concisão também é outra marca presente ao lado de um discurso claro e objetivo. Reparem, ainda, que os elementos do lead evidenciam-se:

O quê – a blitz educativa;

Quem ­– alunos e funcionários da Escola Municipal Gilberto Rezende Rocha Filho;

Quando – tarde da última sexta-feira, dia 09;

Onde – Gurupi;

Como – por meio de campanhas educativas e trabalhos de divulgação sobre o tema (panfletos e cartazes);

Por quê – para conscientizar os jovens sobre a importância de dirigir com consciência.


A REPORTAGEM

É um texto jornalístico que trata de assuntos que não necessariamente estão relacionados a fatos novos. Nesse gênero, busca-se certo conhecimento de mundo, incluindo uma investigação e uma interpretação dos acontecimentos.

Uma reportagem apresenta informações mais aprofundadas sobre fatos que despertam interesse ao público a que se destina um jornal ou uma revista, acrescentando opiniões e diferentes pontos de vista. É estabelecida uma ligação entre o fato principal e os paralelos, através de citações, trechos de entrevistas, tabelas, mapas, boxes informativos, fotografias, dados estatísticos, por exemplo.

Ao ser elaborada, a reportagem exige, muitas vezes, um prévio conhecimentos dos fatos. Seu conceito envolve uma série de providências a serem tomadas, como uma cobertura, uma apuração mais detalhada de informações, uma seleção de dados.

Observem o exemplo a seguir:

Quando a habilidade em se comunicar faz a diferença nas corporações

Christina Lima 

Habilidade na comunicação é uma qualidade – para não dizer exigência – em diversos setores da vida. No ambiente corporativo, saber se expressar bem evita ruídos na emissão das mensagens e facilita as relações no trabalho. Isabella Sacramento, especialista em comunicação empresarial e doutora em administração pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração de Empresas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppead/UFRJ), demonstrou isso em sua palestra, dia 4 de fevereiro, na Alumni – associação de ex-alunos da instituição.

Para ser compreendido em uma conversa com funcionários ou em uma apresentação diante de auditório cheio, organização mental e clareza são requisitos básicos. “Problemas de comunicação podem afetar o dia-a-dia das empresas. Superar barreiras de forma ou de conteúdo é o primeiro passo para se tornar um bom orador”, explica a consultora, que possui 20 anos de experiência na área. Entre os principais ruídos, estão voz, expressão facial, postura e olhar. “Cuidar desses quatro já é um começo”.

Um excelente orador, na opinião de Isabella, tem duas missões no início de qualquer fala. A primeira, fazer com que a plateia se interesse pelo que ele vai dizer; a segunda é estabelecer um ‘trilho’, ou seja, apontar um horizonte a fim de minimizar a sensação de ‘não sei aonde isso vai me levar’.

De acordo com a expert, a capacidade de se fazer entender, porém, só terá efeito se houver planejamento. Ela recomenda treino diante de uma câmera de vídeo. “Vícios de postura, como ficar caminhando para frente e para trás durante uma palestra, ou falar em tom agressivo ou humilde demais podem ser corrigidos”. As gravações servem para registrar erros que poderão ser observados e superados com treino.

Os principais candidatos a maneirismos mais comuns são, em primeiro lugar, as mãos. “É preciso respeitar o gesto, não dá para exagerar. O gestual tem de fazer sentido, não ser caricato ou desabonador” explica. ‘Muletas’ de linguagem, expressões como ‘tá’, ‘é’, ‘né’, ‘tipo assim’, também podem ser abolidas com treinamento.

Outras duas ferramentas que fazem diferença na oratória são as roupas e o humor. “No que diz respeito à vestimenta, é preciso se adaptar de acordo com o ambiente. Empresas digitais, por exemplo, não valorizam terno e gravata. Companhias mais tradicionais, sim. Só não vale trajes descuidados ou inapropriados. Em linha geral, o melhor é usar roupas discretas, que não desviem a atenção da audiência.”, afirma. Já o humor é um instrumento poderoso, que deve ser apenas usado por aqueles que têm real convicção de sua capacidade de entreter, aconselha Isabella.

Comunicar para diferentes públicos requer adequações no discurso. O palestrante precisa dominar vários estilos. Mesmo que eleja um preferido, é necessário se adaptar às situações e plateias. “Procuro sempre me informar sobre a formação dos ouvintes antes das apresentações. Repertório pessoal e contexto cultural são variáveis subjetivas que enriquecem a comunicação”, acrescenta.

(http://www.nosdacomunicacao.com)

 

Reparem que o texto acima apresenta dados de forma mais aprofundada sobre o assunto em questão (a habilidade do homem em se comunicar), aborda diferentes pontos de vista a respeito do tema abordado e faz uso de uma linguagem informativa. Além disso, as citações, além de serem um elo entre o fato principal e os fatos paralelos da reportagem, também fortalecem o ponto de vista defendido na reportagem.

 

Vamos ao exercício?

CAIU NO ENEM

(ENEM 2010)

O dia em que o peixe saiu de graça

Uma operação do Ibama para combater a pesca ilegal na divisa entre os Estados do Pará, Maranhão e Tocantins incinerou 110 quilômetros de redes usadas por pescadores durante o período em que os peixes se reproduzem. Embora tenha um impacto temporário na atividade econômica da região, a medida visa preservá-la ao longo prazo, evitando o risco de extinção dos animais. Cerca de 15 toneladas de peixes foram apreendidas e doadas para instituições de caridade.

Época, 23 mar. 2009 (adaptado).

A notícia, do ponto de vista de seus elementos constitutivos,

a) apresenta argumentos contrários à pesca ilegal.

b) tem um título que resume o conteúdo do texto.

c) informa sobre uma ação, a finalidade que a motivou e o resultado dessa ação.

d) dirige-se aos órgãos governamentais dos estados envolvidos na referida operação do Ibama.

e) introduz um fato com a finalidade de incentivar movimentos sociais em defesa do meio ambiente.

 

 

Comentários:

Como podemos perceber, a notícia em questão divide-se em três segmentos: a ação em si (uma operação do Ibama que incinerou 110 quilômetros de redes de pesca apreendidas na divisa entre os estados do Pará, Maranhão e Tocantins); a finalidade (a medida visa preservá-la ao longo prazo, evitando o risco de extinção dos animais) e, por fim, o resultado da operação (cerca de 15 toneladas de peixes terem sido apreendidas e doadas para instituições de caridade). Essas informações básicas ajudam a constituir o lead da notícia. Dessa forma, a alternativa correta é a letra “C”.

 

 

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