COESÃO SEQUENCIAL E RECORRENCIAL

Fala, galera!

Nos nossos posts anteriores, já vimos os conceitos básicos sobre coesão e estudamos três mecanismos importantes: coesão referencial, lexical e por elipse. Na aula de hoje, vamos analisar os dois processos coesivos que faltavam:

  • COESÃO SEQUENCIAL
  • COESÃO RECORRENCIAL

 

COESÃO SEQUENCIAL

A coesão sequencial se refere ao desenvolvimento textual propriamente dito por procedimentos de manutenção e progressão temática. Na prática, é aquela que se estabelece por meio de conectivos, cuja função é, basicamente, ligar as frases e estabelecer uma relação de sentido entre elas.

Vejam a tirinha a seguir:

 (Quino)

Há, acima, uma sequência textual. As frases transcritas a seguir estão articuladas por meio de conectivos que estabelecem diferentes relações de sentido:

Vou ao mercado e já volto.” (ADIÇÃO)

Não abra a porta para ninguém mesmo que a pessoa insista.” (CONCESSÃO)

E se for a felicidade?” (CONDIÇÃO)

Assim, podemos dizer que a COESÃO SEQUENCIAL prevalece na tira da personagem Mafalda.

SE LIGA!

Cuidado com conectivos que podem apresentar diferentes sentidos de acordo com o contexto em que estejam inseridos. Observem os exemplos a seguir:

I) Como combinamos, não haverá aula amanhã. (CONFORMIDADE)

II) Os manifestantes correram como loucos após os primeiros disparos. (COMPARAÇÃO)

III) Como houve muitas reclamações, o professor anulou a prova. (CAUSA)

Notem que, apesar de o conectivo ser o mesmo nas três sentenças (“como”), as relações de sentido estabelecidas são completamente diferentes. Nunca deixem de levar o contexto em consideração!

 

COESÃO RECORRENCIAL

Esse tipo de coesão se caracteriza pela repetição de algum tipo de elemento anterior. Essa repetição não funciona como na coesão referencial, quando fazemos alusão a um mesmo referente, mas sim como uma “lembrança” de um mesmo padrão. Ela pode aparecer de várias formas:

  • Através da recorrência de termos:

Exemplo: Marta falava, falava, falava...

A recorrência nesse caso dá uma ideia de continuidade. Não é uma repetição vocabular vista como desnecessária, mas sim enfática.

  • Através de recursos fonológicos, ou sons, caso da rima:

Exemplo: Ela estava calada, quieta, quietinha...

A repetição “quieta”, “quietinha” intensifica a ideia.

  • Através de uma paráfrase, que se refere à recorrência de conteúdos semânticos.

SE LIGA!

A paráfrase é um tipo de intertextualidade, como já estudamos anteriormente. Podemos enquadrá-la nesse mecanismo coesivo, uma vez que liga ideias presentes em textos diferentes e mantém (repete) o sentido do original.

Para quem quiser revisar, segue o link da aula de intertextualidade: http://soumaisenem.com.br/portugues/generos-textuais/os-tipos-de-intertextualidade-parte-1

  • Através de paralelismo, que se baseia na recorrência da mesma estrutura sintática:

Exemplo: Lápis na mão, papel na mesa e ideias na mente sempre geram algum fruto.

Reparem como há nas expressões “Lápis na mão”, “papel na mesa” e “ideias na mente” uma relação de equivalência. (a estrutura é semelhante)

SE LIGA!

Nos próximos posts, vamos falar melhor sobre esse importante recurso de progressão textual: o paralelismo. Veremos como identificá-lo em um texto e como trabalhá-lo na redação. Aguardem nossas próximas aulas!Cool

 

Como podemos ver, a COESÃO RECORRENCIAL trabalha, basicamente, com a reiteração das ideias. Uma informação colocada inicialmente é mantida através de determinada estrutura. Em alguns casos, repetir uma informação pode, sim, ser um recurso coesivo, uma vez que articula os conteúdos. Vimos aqui casos em que esse fenômeno ocorre.

Entretanto, é preciso lembrar que os demais tipos de coesão (referencial, lexical, por elipse, sequencial), muitas vezes, são priorizados já que apresentam informações novas a um texto, sem, necessariamente, repeti-las. Tudo depende da intenção do discurso.

O mais importante é que vocês saibam lidar com os diferentes mecanismos coesivos e busquem trabalhá-los da melhor maneira no momento de construir uma redação, por exemplo.

 

CAIU NO ENEM

(ENEM 2010)

O Flamengo começou a partida no ataque, enquanto o Botafogo procurava fazer uma forte marcação no meio campo e tentar lançamentos para Victor Simões, isolado entre os zagueiros rubro-negros. Mesmo com mais posse de bola, o time dirigido por Cuca tinha grande dificuldade de chegar à área alvinegra por causa do bloqueio montado pelo Botafogo na frente da sua área.

No entanto, na primeira chance rubro-negra, saiu o gol. Após cruzamento da direita de Ibson, a zaga alvinegra rebateu a bola de cabeça para o meio da área. Kléberson apareceu na jogada e cabeceou por cima do goleiro Renan. Ronaldo Angelim apareceu nas costas da defesa e empurrou para o fundo da rede quase que em cima da linha: Flamengo 1 a 0.

 Disponível em: http://momentodofutebol.blogspot.com (adaptado).

O texto que narra uma parte do jogo final do Campeonato Carioca de futebol, realizado em 2009, contém vários conectivos, sendo que:

a) após é conectivo de causa, já que apresenta o motivo de a zaga alvinegra ter rebatido a bola de cabeça.

b) enquanto tem um significado alternativo uma vez que conecta duas opções possíveis para serem aplicadas no jogo.

c) no entanto tem significado de tempo, porque ordena os fatos observados no jogo em ordem cronológica de ocorrência.

d) mesmo traz ideia de concessão, já que “com mais posse de bola”, ter dificuldade não é algo naturalmente esperado.

e) por causa de indica consequência, porque as tentativas de ataque do Flamengo motivaram o Botafogo a fazer um bloqueio.

 

Comentários:

Como podemos perceber, essa questão aborda claramente os valores estabelecidos pelos conectivos (coesão sequencial). A partir da leitura do texto e de uma análise cuidadosa da relação estabelecida entre as orações, chegamos à conclusão de que a alternativa D é a resposta correta. O “mesmo” estabelece relação concessiva, ou seja, apesar de o time rubro-negro ter tido mais a posse de bola, isso não fora suficiente para que chegasse até a área adversária.

 

Bem, galerinha, finalizo aqui os tipos de coesão. Nas nossas próximas aulas, vamos estudar melhor o recurso textual denominado paralelismo. Mas isso já é assunto para o próximo post... Por hoje, é só.

Alguma dúvida? Curtiram a aula? Comentem aqui!

Até a próxima.Laughing

 

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