COESÃO LEXICAL E POR ELIPSE

Olá, galerinha!

Na nossa última aula, vimos a chamada coesão referencial. Hoje, vamos dar continuidade ao estudo analisando dois novos processo coesivos. São eles:

  • COESÃO LEXICAL
  • COESÃO POR ELIPSE

 

CoolDICA DE REDAÇÃO!

É importante, sim, saber identificar os tipos de coesão, porém, saber utilizá-los em um texto é fundamental para a construção de uma boa redação. Quando escrevemos, temos de saber lidar com diversas ferramentas que permitam uma melhor conexão de nossas ideias, evitando, assim, problemas comuns, como, por exemplo, repetições vocabulares ou períodos muito extensos.

Dominar os processos coesivos é dominar a construção textual!

Bem, vamos analisar os próximos processos coesivos:

COESÃO LEXICAL

O nosso léxico é o nosso vocabulário. Logo, esse tipo de coesão envolve a substituição de um vocábulo por outro de mesmo significado – o chamado sinônimo – ou por palavras que estabeleçam entre si uma relação de sentidohiperônimos e hipônimos.

SE LIGA!

Hiperônimos e Hipônimos são vocábulos que pertencem a um mesmo campo semântico, ou seja, campo de sentido. O hiperônimo é o termo mais abrangente e o hipônimo, o mais específico.

Observem o esquema a seguir:

Notem que as palavras “bebida”, “refrigerante” e “Coca-cola” estabelecem entre si uma relação de sentido, porém há uma espécie de uma escala de significação entre  elas.

“Bebida” é um HIPERÔNIMO de “refrigerante”, que por sua vez funciona como HIPÔNIMO nesse caso. Já em relação à “Coca-cola”, “refrigerante” é um HIPERÔNIMO e “Coca-cola” torna-se o HIPÔNIMO da vez.

Vejam, agora, como a COESÃO LEXICAL pode ajudar na construção da redação!

Transcrevi o seguinte fragmento de uma matéria jornalística publicada no site http://www1.folha.uol.com.br:

“Prestes a sediar importantes eventos internacionais, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, o Brasil ainda não tem um projeto de lei que defina o combate ao terrorismo. Especialistas ouvidos sobre a questão, que pedem para não ser identificados, alertam que o Brasil, muito embora mantenha neutralidade em conflitos internacionais sobretudo no Oriente Médio, nem por isso pode se considerar imune a atentados terroristas. (...)”

Percebam que houve uma repetição desnecessária do substantivo próprio “Brasil”. No segundo período, poderíamos, tranquilamente, substituí-lo pela palavra “país” (hiperônimo). Dessa forma, teríamos um texto mais coeso, sem repetições vocabulares. A esse tipo de coesão, damos o nome de LEXICAL.

Analisem outro exemplo em que a COESÃO LEXICAL favorece a construção textual:

A sociedade precisa demonstrar mais insatisfação quando o assunto envolve desvios de verbas públicas. Manter-se em uma posição inoperante desfavorece uma possibilidade de mudanças. Denúncias devem ser feitas por parte da população para que esse cenário possa, um dia, ser alterado.

Vejam, agora, que o vocábulo “sociedade” foi retomado e substituído por “população” no último período. Essas palavras podem ser classificadas, no contexto acima, como sinônimos, pois têm um mesmo sentido. Mais uma vez, temos a COESÃO LEXICAL atuando para uma melhor construção textual.

 

COESÃO POR ELISPE

Elipse é a omissão de um termo subentendido em um texto. Logo, a COESÃO POR ELISPE  é aquela que permite uma conexão de ideias sem a necessidade de repetir uma palavra ou uma expressão, uma vez subentendidas.

Leiam o fragmento a seguir, ainda transcrito do site http://www1.folha.uol.com.br :

“Setores de Inteligência e Segurança do governo e das Forças Armadas manifestam preocupação com a falta de tempo para a elaboração da legislação. Há hoje seis projetos tratando do tema em análise na Câmara dos Deputados. O mais antigo é de 1991, e o mais recente foi apresentado em 2012.”

Percebam que, no último período, a palavra “projeto” está subentendida. A repetição seria totalmente desnecessária nesse caso. Dessa forma, temos uma COESÃO POR ELIPSE.

Caso queiram ler a matéria citada neste post na íntegra, é só acessar o link:

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1250952-brasil-permanece-sem-estrategia-antiterror.shtml

 

CAIU NO ENEM

(ENEM 2009)

Manuel Bandeira

Filho de engenheiro, Manuel Bandeira foi obrigado abandonar os estudos de arquitetura por causa da tuberculose. Mas a iminência da morte não marcou de forma lúgubre sua obra, embora em seu humor lírico haja sempre um toque de funda melancolia, e na sua poesia haja sempre um certo toque de morbidez, até no erotismo. Tradutor de autores como Marcel Proust e William Shakespeare, esse nosso Manuel traduziu mesmo foi a nostalgia do paraíso cotidiano mal idealizado por nós, brasileiros, órfãos de um país imaginário, nossa Cocanha perdida, Pasárgada. Descrever seu retrato em palavras é uma tarefa impossível, depois que ele mesmo já o fez tão bem em versos.

Revista Língua Portuguesa, n° 40, fev. 20

A coesão do texto é construída principalmente a partir do (a)

a) repetição de palavras e expressões que entrelaçam as informações apresentadas no texto.

b) substituição de palavras por sinônimos como “lúgubre” e “morbidez”, “melancolia” e “nostalgia”.

c) emprego de pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos: “sua”, “seu”, “esse”, “nosso”, “ele”.

d) emprego de diversas conjunções subordinativas que articulam as orações e períodos que compõem o texto.

e) emprego de expressões que indicam sequência, progressividade, como “iminência”, “sempre”, “depois”.

 

 

Comentários:

Como podemos perceber, essa questão do ENEM aborda em suas alternativas diferentes tipos de coesão. Após uma leitura atenta, nota-se, claramente, que os pronomes são os maiores responsáveis pela conexão das ideias ao longo do texto. Dessa forma, a alternativa mais adequada é a letra C.

 

Até este aula, já conhecemos três importantes tipos de coesão: referencial, lexical e por elipse. No próximo post, vamos abordar mais dois importantes processos coesivos: a coesão recorrencial e a sequencial. Fiquem ligados e continuem acompanhando!

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