Interpretação de texto I: texto literário

Olá, querido aluno!Smile

Como estão os estudos? Vamos seguir, que hoje é dia de Literatura!

O foco do ENEM está, sobretudo, na interpretação dos textos. E neste universo, a compreensão do conteúdo é fundamental. No entanto, o candidato também deve estar preparado para o tipo de estrutura em que esse texto se apresenta, reconhecendo-a, para entender o que dizem, por exemplo, possíveis opções de resposta, como já aconteceu em edições anteriores e que veremos a seguir. É necessário, portanto, você saber que há duas formas de expressão linguísticas: a literária e a não literária.

O texto literário

Dia desses, caminhando pelas ruas do Flamengo, no Rio de Janeiro,  resolvi ir até a Praia. Com celular na mão, tirei uma foto de uma das mais belas e preferidas paisagens naturais,  que, magistralmente, representa a minha querida cidade e o nosso país. Veja como ficou:

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Linda, não? Inspiradora, eu diria! Uma beleza como essa, certamente, torna as pessoas mais sensíveis diante da realidade que as cerca. E dessa sensibilidade, muitas vezes, surgem textos lindíssimos, de profunda carga emotiva, aos quais são escolhidas, cuidadosamente, as palavras que representam fielmente os sentimentos que ora o autor quer reproduzir, usando, como ferramenta, a palavra. Fácil fazer? Apesar do apelo da imagem e da emoção do criador... não, nem um pouco!

Um outro momento agora. Veja como o poeta português Fernando Pessoa teve seu texto “Poema em linha reta” “lido” em vídeo – uma produção brasileira, sob a leitura do grande ator de teatro, Paulo Autran:

Diferente, não é mesmo?  

Então, o que houve, no texto de Fernando Pessoa, sob o heterônimo de Álvaro de Campos, foi a preocupação com o trabalho artístico do autor para retratar a realidade, recriada conforme  os sentimentos provocados por ele. Nessa representação, há o cuidado com a composição textual, no plano da expressão da linguagem conotativa, explorando o sentido figurado da palavra, a construção imagética resultante da elaboração desse discurso, bem como a estrutura formal. Assim, apresenta a primeira forma de abordagem da realidade por meio da expressão linguística: o texto literário.

Por isso, para ser literário, é preciso que exista no texto a elaboração nos planos da estrutura e do conteúdo. Sobre a estrutura, há a construção formal do texto: se prosa, há os romances, as crônicas, os contos, as novelas, enfim, diferentes gêneros narrativos que possuem características peculiares em sua composição; se poesia, há as estruturas fixas - sonetos, elegias, odes, e as estruturas livres, compondo os versos e criando estrofes ou não.

Já no plano do conteúdo, há o modo diferenciado de tratar temas do cotidiano, de explorar o caráter lúdico das palavras, de expressar-se sobre o mundo e os sentimentos universais do Homem, utilizando a elaboração da palavra, mostrando sua pluralidade de sentidos, dissecando a realidade. Existe aí, uma intenção laboral do texto, examinando, essencialmente, o sentido conotativo e as funções emotiva, poética, metalinguística no processo de interlocução.

Segue uma lista com três questões para você resolver. Vamos ao trabalho? Wink

- Caiu no Enem

  I. 

(Enem 1998) 

A discussão sobre gramática na classe está "quente". Será que os brasileiros sabem gramática? A professora de Português propõe para debate o seguinte texto:

PRA MIM BRINCAR

            Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.

            - As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.

(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes. 4a ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 1986. Pág.19)

 - Com a orientação da professora e após o debate sobre o texto de Manuel Bandeira, os alunos chegaram à seguinte conclusão:

a) Uma das propostas mais ousadas do Modernismo foi a busca da identidade do povo brasileiro e o registro, no texto literário, da diversidade das falas brasileiras.   

b) Apesar de os modernistas registrarem as falas regionais do Brasil, ainda foram preconceituosos em relação às cariocas.   

c) A tradição dos valores portugueses foi a pauta temática do movimento modernista.   

d) Manuel Bandeira e os modernistas brasileiros exaltaram em seus textos o primitivismo da nação brasileira.   

e) Manuel Bandeira considera a diversidade dos falares brasileiros uma agressão à Língua Portuguesa.   

  

   II. 

(Enem 1999) 

Leia o que disse João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano, sobre a função de seus textos:

"FALO SOMENTE COMO O QUE FALO: a linguagem enxuta, contato denso; FALO SOMENTE DO QUE FALO: a vida seca, áspera e clara do sertão; FALO SOMENTE POR QUEM FALO: o homem sertanejo sobrevivendo na adversidade e na míngua. FALO SOMENTE PARA QUEM FALO: para os que precisam ser alertados para a situação da miséria no Nordeste."

 Para João Cabral de Melo Neto, no texto literário,

 a) a linguagem do texto deve refletir o tema, e a fala do autor deve denunciar o fato social para determinados leitores.   

 b) a linguagem do texto não deve ter relação com o tema, e o autor deve ser imparcial para que seu texto seja lido.   

 c) o escritor deve saber separar a linguagem do tema e a perspectiva pessoal da perspectiva do leitor.   

 d) a linguagem pode ser separada do tema, e o escritor deve ser o delator do fato social para todos os leitores.   

 e) a linguagem está além do tema, e o fato social deve ser a proposta do escritor para convencer o leitor.   


  III.

(Enem cancelado 2009) 

Ó meio-dia confuso,

ó vinte-e-um de abril sinistro,

que intrigas de ouro e de sonho

houve em tua formação?

Quem ordena, julga e pune?

Quem é culpado e inocente?

Na mesma cova do tempo

cai o castigo e o perdão.

Morre a tinta das sentenças

e o sangue dos enforcados...

— liras, espadas e cruzes

pura cinza agora são.

Na mesma cova, as palavras,

o secreto pensamento,

as coroas e os machados,

mentira e verdade estão.

[...]

(MEIRELES, C. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: Aguilar, 1972. (fragmento)

O poema de Cecília Meireles tem como ponto de partida um fato da história nacional, a Inconfidência Mineira. Nesse poema, a relação entre texto literário e contexto histórico indica que a produção literária é sempre uma recriação da realidade, mesmo quando faz referência a um fato histórico determinado. No poema de Cecília Meireles, a recriação se concretiza por meio

a) do questionamento da ocorrência do próprio fato, que, recriado, passa a existir como forma poética desassociada da história nacional.   

b) da descrição idealizada e fantasiosa do fato histórico, transformado em batalha épica que exalta a força dos ideais dos Inconfidentes.   

c) da recusa da autora de inserir nos versos o desfecho histórico do movimento da Inconfidência: a derrota, a prisão e a morte dos Inconfidentes.   

d) do distanciamento entre o tempo da escrita e o da Inconfidência, que, questionada poeticamente, alcança sua dimensão histórica mais profunda.

e) do caráter trágico, que, mesmo sem corresponder à realidade, foi atribuído ao fato histórico pela autora, a fim de exaltar o heroísmo dos Inconfidentes.

 - Gabarito

   I. Até 1930, o Modernismo pretendeu a liberdade das formas fixas - sobretudo os sonetos -, bem como os versos brancos, utilizando a linguagem coloquial para expressar o discurso popular, aproximando a Literatura de um público diferente da elite. Letra A 

   II. João Cabral de Melo Neto, ao tratar da produção narrativa de Graciliano Ramos (e não a produção poética do poeta recifense, como aponta o enunciado da questão), em "O poema da noite", acaba por traduzir, em palavras,  todo cenário do sertão e as péssimas condições de vida em que vivia o povo sertanejo - tema do autor de romances. Letra A

   III. Cecília Meirelles resgata um fato histórico, revivendo-o de forma poética, recriando artísticamente o período - a Inconfidência Mineira - dimensionando-o com o verdadeiro valor que possui, com a properiedade de quem tem distanciamento crítico suficiente para avaliá-lo. Letra D


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Até a próxima!

Michelle Nunes



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