O ROMANTISMO EM VERSO – PARTE 2: ULTRARROMANTISMO

Oi, gente!

Vamos continuar com a aula sobre Romantismo, agora sobre a segunda geração. Boa aula!

 


A MUDANÇA NA POSTURA ROMÂNTICA

Chamada de ultrarromântica, a geração do “mal-do-século” redefinia o projeto literário brasileiro com a idealização absoluta e com os interesses por duas ideias essencialmente românticas: AMOR e MORTE.

Tratava-se de uma geração de poetas atormentados, que frequentemente morriam jovens, marcando a literatura pela expressão exacerbada de um subjetivismo pessimista, pelo desejo de evasão da realidade, pela atração pelo mistério e, ainda, pela consciência de inadaptação do artista à sociedade em que viviam.

A solidão, o culto a uma natureza mórbida e soturna e, acima de tudo, a idealização da mulher virginal e etérea, eram as formas poéticas encontradas para traduzir em imagens os sentimentos arrebatados que vivenciavam.

 




A GERAÇÃO BYRONIANA

Havia o exagero sentimental. Inspirados pelos autores Lord Byron e Mary Shelley, os representantes dessa geração liam uma poesia que exaltava os sentimentos arrebatados ao mesmo tempo que apresentava o poeta isolado da sociedade, incompreendido por defender valores morais éticos contrários aos interesses  econômicos da burguesia.

Os jovens dessa geração mostravam-se mais voltados para os interesses do coração. Incorporavam a postura do herói que defendia valores incorruptíveis, como liberdade, amor e direito à liberdade.


 

 



O PÚBLICO

Brasil, Segundo Império.

Jovens estudantes e poetas viviam, em sua maioria, em repúblicas; muitos em SP, onde cursavam a Faculdade de Direito, no Convento de São Francisco, em São Paulo.   

Essa vida isolada definia a produção cultural, marcada pela característica cosmopolita. A circulação dos textos ocorria no espaço em que viviam: nos salões, nas reuniões de elite, dois tipos de poetas surgiam, os declamadores e os repentistas (improvisadores).

 



AS CARACTERÍSTICAS

  • Locus horrendus: o cenário ultrarromântico é tempestuoso, sombrio. As forças incontroláveis da natureza simbolizam os sentimentos violentos que acolhem o sofrimento individual do poeta.
  • O “mal do século” e a sedução da morte:  a ideia de morrer, para ultrarromântico, tem um sentido positivo, porque garante o término da agonia de viver. É no contexto das desilusões e da maneira pessimista de encarar a própria existência que a morte surge como solução.
  • Subjetividade: em detrimento do isolamento do homem romântico, que se sente deslocado do contexto social, há o forte culto do “eu”, recolhendo-se a uma subjetividade que vive a angústia, o sofrimento e a dor existencial.
  • Idealização amorosa:  o amor é colocado entre a sensualidade e a idealização. O objeto do sentimento amoroso é fantasiado e como não há a consumação dele, há a intensificação do sofrimento.
  • Evasão: o poeta desta geração refugia-se no campo das idealizações, por isso os temas da infância, da morte tornam-se interessantes e constantes nos textos ultrarromânticos, por se tratarem de ser o tempo da fuga do eu-lírico.
  • Linguagem: a liberdade formal continua sendo característica forte da produção poética. Palavras como “amor”, “morte”, “febre”, “ilusão”, “saudade”, “sonho”, “noite”, “palidez”, “pesadelo”, “desespero”, são recorrentes no vocabulário dessa poesia que marcam os temas depressivos e, alguns casos, irracionais. O trabalho intencional e a musicalidade nas palavras ganha destaque neste momento. Saraus, musicais, óperas, criam a atmosfera perfeita para essa poesia contaminada de amor , loucura, paixão e sonho.
Veja no poema a seguir:

 



OS AUTORES

Os principais poetas do Romantismo da segunda geração foram Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela, Junqueira Freire.

Álvares de Azevedo (1831-1852)

Biografia da ABL 

Antologia do Jonal da Poesia

Dramatização do poema: Por que mentias?, por Gabriel Braga Nunes  

Audiobook de Noite na Taverna

 

Casimiro de Abreu (1839-1860)

Biografia

Antologia do Jornal da poesia

A Valsa, declamada por Paulo Autran

Meus oito anos, por Paulo Autran

 

Fagundes Varela (1841-1875)

Biografia

Antologia


Junqueira Freire (1832-1855)

Biografia

Leitura de José Marcio Castro Alves

Iconografia do autor (com a apresentação de um texto original do autor)

 

 

Vamos trabalhar um pouco? Olha, essa caiu no ENEM de 2010:

 Soneto

Já da morte o palor me cobre o rosto,

Nos lábios meus o alento desfalece,

Surda agonia o coração fenece,

E devora meu ser mortal desgosto!

 

Do leito embalde no macio encosto

Tento o sono reter!... já esmorece

O corpo exausto que o repouso esquece...

Eis o estado em que a mágoa me tem posto!

 

O adeus, o teu adeus, minha saudade,

Fazem que insano do viver me prive

E tenha os olhos meus na escuridade.

 

Dá-me a esperança com que o ser mantive!

Volve ao amante os olhos por piedade,

Olhos por quem viveu quem já não vive!

 

                               AZEVEDO, A. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000.

 

O núcleo temático do soneto citado é típico da segunda geração romântica, porém configura um lirismo que o projeta para além desse momento específico. O fundamento desse lirismo é

 

a) a angústia alimentada pela constatação da irreversibilidade da morte.

b) a melancolia que frustra a possibilidade de reação diante da perda.

c) o descontrole das emoções provocado pela autopiedade.

d) o desejo de morrer como alívio para a desilusão amorosa.

e) o gosto pela escuridão como solução para o sofrimento.

 

Façam! Semana que vem divulgo o gabarito.

 

Até a próxima!

Michelle Nunes Wink



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