O ROMANTISMO EM VERSO – PARTE 1

Oi, gente!
Vamos hoje falar sobre o Romantismo no Brasil. E vamos falar já da primeira fase romântica na poesia.
Boa aula!


CONTEXTO HISTÓRICO

O Romantismo inicia no Brasil num momento histórico conturbado para a metrópole portuguesa, com a invasão de Napoleão e a vinda da Coroa para terras brasileiras.

Esse fato acaba por gerar uma profunda alteração no cotidiano da colônia, contribuindo para a Independência da nação.

Desenvolvimento do comércio, da indústria, da agricultura, da educação; criação da tipografia, movimentação editorial e da imprensa, toda essa agitação modificou a vida cultural da colônia, gerando um público leitor, dando condições para a formação de uma literatura mais sólida que o que fora produzida até então.

 Toda essa movimentação no Brasil, todos os fatos políticos e todas as ideias europeias determinaram a principal preocupação dos intelectuais deste século: a formação da nação brasileira e a definição de símbolos nacionais.

Foram estes artistas e pesquisadores que apontaram o índio e a natureza exuberante como elementos mais representativos da identidade brasileira, símbolos ideais para a nação que começava a ganhar forma.

 

A FORMAÇÃO DO PENSAMENTO ROMÂNTICO NO BRASIL

Jovens intelectuais, muitos educados ou vivendo na Europa, entusiasmados com a independência política, abraçaram a missão de escrever para brasileiros e estrangeiros a face do novo país independente.

 A Revista Niterói foi lançada em 1836 e seria a publicação que daria início ao Romantismo brasileiro. No primeiro número, Gonçalves de Magalhães escreveu o “Discurso sobre a história da literatura no Brasil”, em que procurava demonstrar como a literatura estava limitada aos temas, formas e valores portugueses. Segundo o autor, a vinda do rei provava que havia real necessidade de os brasileiros reconhecerem o país como nação. Era o momento de trabalhar para definir os traços de nacionalidade.

 

A PRIMEIRA FASE ROMÂNTICA BRASILEIRA: GERAÇÃO INDIANISTA OU NATIVISTA

“CADA POVO TEM SUA LITERATURA PRÓPRIA, COMO CADA HOMEM SEU CARÁTER PARTICULAR, CADA ÁRVORE SEU FRUTO ESPECÍFICO” .

Com essas palavras, Gonçalves de Magalhães mostrou o espírito que marcou a 1ª geração romântica: a vontade de semear as ideias libertárias, de repercutir o sentimento de amor à pátria, longe das influências culturais de Portugal.

Vamos a um resumo dos ideias da 1ª geração romântica:

  • Afirmação da identidade nacional
  • Resgate do índio e da natureza como ícones da nacionalidade.
  • Versos que não exploram a liberdade formal. São marcados pelo controle da métrica e pela escolha das rimas. A sonoridade, a cadência dos versos  fazem-nos se aproximar das batidas de tambores indígenas. Outro recurso é a caracterização da natureza, usada para expressar, muitas vezes, os sentimentos do eu lírico, promovendo uma identificação entre os dois símbolos nacionalistas.

Para reafirmar o pensamento nacionalista, essa 1ª geração romântica elege o índio e a natureza como símbolos brasileiros, que permeariam a literatura. Com base no pensamento de Rousseau sobre o “bom selvagem”, os autores, chamados indianistas,  transferem a imagem do homem livre e de valores, encontrada no cavalheiro medieval, para o índio brasileiro, atribuindo uma visão idealizada para o habitante brasileiro, aproximando-o ao público, pois a visão do herói valoroso agradava a todos os leitores.

Nesse contexto, as publicações ocorriam em jornais e revistas da época, o que foi fundamental para a formação de um grupo de leitura – fiel aos romances que seriam produzidos e os poemas lidos não só mais em saraus, mas também na imprensa.

A linguagem buscava ser simples, mas havia certa preocupação formal por parte dos primeiros poetas românticos. Isso porque havia uma intenção de aproximar o ritmo do poema ao som dos tambores indígenas – o que gerava um efeito interessante para o leitor.

 

Destacam-se como autores dessa geração: Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias.

 

Sobre Gonçalves Dias, é importante destacar a edição de Canção do Exílio, um dos poemas mais parodiados e citados na Literatura nacional. Um outro poema é  “I-Juca Pirama”, no qual fica clara a criação idealizada do índio. Veja o poema reproduzido numa animação bem bacana aqui:

Imagem: Elvis Kleber Figueiredo

 

Outra boa é ver o filme Carlota Joaquina, que retrata a chegada da Familia Real ao Brasil.

 

Espero que tenham gostado da aula! Faremos questões na aula 02 de Romantismo!

Até a próxima!

Michelle Nunes ;)



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