O ROMANTISMO EM PROSA (PARTE 2): JOSÉ DE ALENCAR

Oi, gente!

Seguindo a aula sobre a prosa no Romantismo, vamos nos ater agora em importantes autores, que vêm aparecendo ultimamente nas provas do ENEM. José de Alencar é o mais conhecido deles nesse concurso. Mãos à obra!

 

 


  • UMA VISÃO CRÍTICA DA SOCIEDADE

A escrita de José de Alencar vai para além do enredo amoroso que fazia emocionar seus leitores. A visão do autor sobre os costumes sociais foi registrada em suas histórias, relevando as relações humanas, conforme o ambiente em que eram escritas.

É claro que os enredos continham todo o desenvolvimento de uma história romântica ou a perspectiva romântica propriamente dita. Mas o que diferenciava era, sem dúvida, a forma peculiar como Alencar esmiuçava as ações de homens e mulheres que faziam parte da sociedade e, com isso, criticava comportamentos considerados censuráveis, como, por exemplo, a história de um casamento arranjado por interesse (de dinheiro e de vingança, em “Senhora”), por exemplo, ou, ainda, eleger uma prostituta como protagonista de um romance (“Lucíola”).

 

  • A MULHER COMO PROTAGONISTA

Outra visão interessante sobre as obras de José de Alencar é o destaque que o autor dá às mulheres em suas histórias. Aurélia e Lúcia, por exemplo, são protagonistas e dão título às suas histórias. São construções de perfis femininos fortes, heroicos, que sempre estão divididas entre a razão e a emoção.

“Representamos uma comédia, na qual ambos desempenhamos o nosso papel com perícia consumada. (...) Entremos na realidade por mais triste que ela seja; e resigne-se cada um ao que é, eu, uma mulher traída; o senhor, um homem vendido.”

(Senhora)

“Esqueci, que, para ter o direito de vender o meu corpo, perdi a liberdade de dá-lo a quem me aprouver! O mundo é lógico!”

(Lucíola)

 

  • O PERFIL ROMÂNTICO E OS ROMANCES

Além de sua obra traçar um perfil da cultura e dos costumes de sua época, José de Alencar também preocupa-se com a História do Brasil, tendo como busca essencial encontrar a  identidade nacional, seja quando descreve a sociedade burguesa do Rio de Janeiro, seja quando se volta para os temas ligados ao índio ou ao sertanejo. Por isso, seus romances costumam ser classificados em quatro categorias: urbanos, históricos, indianistas, e regionalistas.

A obra urbana de Alencar segue o padrão do típico romance de folhetim, retratando a alta sociedade fluminense do Segundo reinado, com tramas que envolvem amor, segredos e suspense. Mas por trás da futilidade dos namoricos da Corte está a crítica à hipocrisia, à ambição e à desigualdade social. Seus romances urbanos são: Cinco minutos (1860), A viuvinha (1860), Lucíola (1862), Diva (1864), A pata da gazela (1870), Sonhos d'ouro (1872), Senhora (1875) e Encarnação (1877).

Os livros indianistas buscam transportar as tradições indígenas para a ficção, relatando mitos, lendas, festas, usos e costumes, muitas vezes observados pessoalmente pelo autor. Mesmo assim, o índio é visto de maneira idealizada, que representa, em nível simbólico, a origem do povo brasileiro. Nesse sentido, seus textos trazem a imagem do homem branco (europeu) como corrompido pelo mundo civilizado e apresenta o índio com ares de "bom selvagem", destacando seu caráter bom, valente e puro. Seus romances indianistas são: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874).

Houve  também a inspiração em nosso passado para escrever os romances históricos, propondo interpretar, por meio da literatura, fatos marcantes da colonização, como, por exemplo,  a busca por ouro e as lutas pela expansão territorial. Percebem-se vários momentos um nacionalismo exaltado e o orgulho pela construção da pátria. Obras: As Minas de prata (1865), Alfarrábios (1873), A guerra dos mascates (1873).

Já nas histórias regionalistas,o autor mostra os hábitos da vida bucólica e a cultura popular à beleza natural presente no interior do Brasil, evidenciando a diversidade que há em nosso país. Aí, os homens se destacam, enfrentando as dificuldades da vida. Suas histórias regionalistas inspiraram o que seria a marca da segunda fase modernista, séculos depois. São elas: O gaúcho (1870), O tronco do Ipê (1871), Til (1872), O sertanejo (1876).

Wink Para saber mais, veja o vídeo: José de Alencar: O Múltiplo - Mestres da Literatura - TV Escola


VAMOS PARA A QUESTÃO!_____________________________________________________________________________

Essa caiu no ENEM em 2012:

“Ele era o inimigo do rei” , nas palavras de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda , “ um romancista que colecionava desafetos azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil” . Assim era JOSÉ DE Alencar (1829-1877) , o conhecido autor de O guarani e Iracema, tido como o pai do romance no Brasil. Além de criar clássicos da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históricos, ele foi também folhetinista, diretor de jornal, autor de peças de teatro,  advogado, deputado federal e até ministro da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas facetas desse personagem do século XIX, parte de seu acervo inédito será digitalizada.

História Viva, n.99,2011.

Com base no texto, que trata do papel  do escritor José de Alencar e da futura digitalização de sua obra, depreende-se que

A)a digitalização dos textos é importante para que os leitores possam compreender seus romances.

B) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importante porque deixou uma vasta obra literária com temática atemporal.

C) a divulgação das obras de José de Alencar , por meio da digitalização, demonstra sua importância para a história do Brasil imperial.

D) a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante papel na preservação da memória linguistica e da identidade nacional.

E) o grande romancista José de Alencar é importante porque se destacou por sua temática indianista.

 

GABARITO

Como vimos na aula, a obra de José de Alencar constitui um importante panorama sobre os diferentes modos de vida da sociedade brasileira, além de ressaltar os aspectos naturais, exaltando-os. Assim, a digitalização representaria a representação da memória linguística e da identidade nacional construída por ele nos romances.

LETRA D

 

Espero que tenham curtido! Divulguem nossas aulas, curtindo e compartilhando! Laughing 

Até a próxima!

Michelle Nunes Wink

 

 

 



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