O ROMANTISMO EM PROSA: OS ROMANCES

Oi, galerinha!!!!
Hoje, vamos falar sobre como o Romantismo ocorreu na prosa. O tipo de produção, o público e os objetivos dessa forma de expressão romântica.

CoolBoa aula!

 

Era eu quem lia para minha boa mãe não somente as

cartas e os jornais, como os volumes de uma diminuta livraria

romântica formada ao gosto do tempo.

(...)

Minha mãe e minha tia se ocupavam com trabalhos de

costuras, e as amigas para não ficarem ociosas as ajudavam.

Dados os primeiros momentos à conversação, passava-se à

leitura e era eu chamado ao lugar de honra.

José de Alencar. Como e porque sou romancista. Campinas: Pontes, 1990.

 

A VIDA DA ARISTOCRACIA NOS FOLHETINS

O século XVIII marcou a capital do Império com uma nova forma de leitura:  dentro dos jornais de grande circulação, as histórias os folhetins.

Eram textos em prosa, escritos ao pé da página, divididos em capítulos, que contavam histórias marcadas pelo melodrama e finais trágicos ou felizes, e que, por isso,  faziam o gosto entre os jovens.   Falavam de amores idealizados, a vida e os costumes burgueses.

Uma característica dessa época, é que mais da metade dos habitantes do país era composta por analfabetos. Por isso, os leitores dos folhetins eram membros da elite, profissionais liberais, funcionários públicos, estudantes e militares.

Veja na figura abaixo o jornal em que era publicado, ao rodapé, o folhetim “Memória de um Sargento de Milícias”, de Manuel Antonio de Almeida.

 

(Fonte: Arquivo Nacional, http://www.exposicoesvirtuais.arquivonacional.gov.br/media/217/ij457_p1_...)

 

O FOLHETIM E O ROMANCE

A palavra “romance”  remete às tradições populares e folclóricas, de histórias contadas no latim vulgar repletas de elementos mágicos, maravilhosos.

É justamente no século XVIII que a palavra ganha o aspecto como é conhecido até os dias de hoje: um gênero textual em prosa, que contém mais de um núcleo narrativo, relacionados a um núcleo central.

Pode-se dizer que esta estrutura “amadureceu” a partir das publicações dos folhetins, criando um público leitor fiel ao perfil desta forma de contar histórias.

(Almeida Junior, "Leitura")

 


A LINGUAGEM EM PROSA ROMÂNTICA

As narrativas românticas perduraram por cerca de 40 anos no Brasil. No início, buscou responder aos anseios de uma sociedade que tentava definir sua identidade cultural – em função da Independência do país, afinal, o que era ser brasileiro? – e, com o passar do tempo, ganhou volume, corpo e assumiu a responsabilidade de responder a este questionamento (muito mais que a poesia, diga-se).

Assim, pode-se dizer que o projeto da prosa romântica divide-se em três “categorias”:

- ROMANCE INDIANISTA / HISTÓRICO:

As narrativas aludem aos fatos que marcaram a descoberta do Brasil. O índio e a natureza são os emblemas que constituem a identidade cultural do país. Destaca-se que a figura do índio é comparada ao do cavaleiro medieval, cujas atitudes heroicas incitam um ufanismo no leitor. A natureza, por sua vez, apresenta-se exuberante, imponente, única.

- ROMANCE REGIONAL

Traz os personagens que fazem parte dos cenários rurais do país, revelando um Brasil diferente aos brasileiros: os pampas gaúchos, o sertão nordestino, a geografia diferente de um território desconhecido pelo público leitor.

- ROMANCE URBANO:

Representa o cotidiano dos centros e capital do Brasil, construindo a identidade cultural do país por meio de histórias cujos personagens, enredos e cenários compunham a alegoria do brasileiro daquela época.

 

RESPONDA ESSA QUE JÁ CAIU NO ENEM!

O sertão e o sertanejo

 Ali começa o sertão chamado bruto. Nesses campos, tão diversos pelo matiz das cores, o capim crescido e ressecado pelo ardor do sol transforma-se em vicejante tapete de relva, quando lavra o incêndio que algum tropeiro, por acaso ou mero desenfado, ateia com uma faúlha do seu isqueiro. Minando à surda na touceira, queda a vívida centelha. Corra daí a instantes qualquer aragem, por débil que seja, e levanta-se a língua de fogo esguia e trêmula, como que a contemplar medrosa e vacilante os espaços imensos que se alongam diante dela. O fogo, detido em pontos, aqui, ali, a consumir com mais lentidão algum estorvo, vai aos poucos morrendo até se extinguir de todo, deixando como sinal da avassaladora passagem o alvacento lençol, que lhe foi seguindo os velozes passos. Por toda a parte melancolia; de todos os lados tétricas perspectivas. É cair, porém, daí a dias copiosa chuva, e parece que uma varinha de fada andou por aqueles sombrios recantos a traçar às pressas jardins encantados e nunca vistos. Entra tudo num trabalho íntimo de espantosa atividade.

TAUNAY, Visconde de. Inocência.

 

O romance romântico teve fundamental importância na formação da ideia de nação. Considerando o trecho acima, é possível reconhecer que uma das principais e permanentes contribuições do Romantismo para construção da identidade da nação é a

a) possibilidade de apresentar uma dimensão desconhecida da natureza nacional, marcada pelo subdesenvolvimento e pela falta de perspectiva de renovação.  

b) consciência da exploração da terra pelos colonizadores e pela classe dominante local, o que coibiu a exploração desenfreada das riquezas naturais do país.  

c) construção, em linguagem simples, realista e documental, sem fantasia ou exaltação, de uma imagem da terra que revelou o quanto é grandiosa a natureza brasileira.  

d) expansão dos limites geográficos da terra, que promoveu o sentimento de unidade do território nacional e deu a conhecer os lugares mais distantes do Brasil aos brasileiros.  

e) valorização da vida urbana e do progresso, em detrimento do interior do Brasil, formulando um conceito de nação centrado nos modelos da nascente burguesia brasileira.  

 

GABARITO_________________________________________________________________________

Como vimos pela explicação da nossa aula, a alternativa que completa o enunciado é a letra [D].

Foco e Estudo, sempre!

Até a próxima, galera!

Mi Nunes Wink



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