O PARNASIANISMO NO BRASIL

Oi, gente!

Vamos continuar com nossos estudos sobre o fim do século XIX. Enquanto na prosa, havia o Realismo e o Naturalismo confirmando seus objetivos críticos e científicos, na poesia, há um resgate ao gosto pela forma e pela estrutura textual através do Parnasianismo e do Simbolismo.

Vamos conhecer aqui o que foi o Parnasianismo e como ocorreu no Brasil. Boa aula!

CONTEXTO HISTÓRICO

  • Segunda metade do século XIX. A sociedade encontra-se transformada pelas descobertas científicas e pela revolução das máquinas. A razão ocupa o lugar dos sentimentos na Arte. As produções literárias buscam pela perfeição da forma em detrimento do conteúdo.
  • Na poesia, o impacto do racionalismo alterou, radicalmente, a sua estrutura e seus temas. No lugar da expressão dos sentimentos humanos, privilegiou-se o rigor formal e linguístico.
  • Por volta de 1866, poetas franceses publicam uma antologia chamada “O Parnaso Contemporâneo”, no qual defendem a estrutura e a objetividade, dando fim às “lamúrias românticas”.

 

Parnaso é uma referência a uma montanha, na Grécia, onde há a morada de Apolo, um dos deuses olímpicos, era o símbolo da inspiração profética e artística, sendo o patrono do mais famoso oráculo da Antiguidade, o Oráculo de Delfos, e líder das Musas.

 

A LITERATURA PARNASIANA

  • Como reação antirromântica, o Parnasianismo surgiu no cenário francês como uma forma de realizar a Arte contemplando-a a si mesma, ou seja, a sua finalidade era a própria arte. Assim, o rigor na apuração da técnica artística, a ornamentação visavam a resgatar a visão da arte como sinônimo de beleza alcançada por meio de um trabalho cuidadoso e detalhista.

PRINCIPAIS OBJETIVOS

- Arte pela arte

A poesia vale por si mesma, não possui nenhum tipo de compromisso e se justifica por sua beleza. Ela faz referências ao prosaico (cotidiano), e o texto mostra interesse a assuntos pertinentes a todos.

- Olhar impessoal, objetividade

O poeta apresenta o fato, a personagem, o cenário como realmente são e o que acontece na realidade, sem deformá-los ou idealizá-los pela sua maneira pessoal de ver, sentir e pensar. Essa posição combate o exagerado subjetivismo romântico.

- Perfeição formal

Estética/Culto à Forma

  • Como os poemas não assumem nenhum tipo de compromisso social, a estética é muito valorizada. O poeta parnasiano busca a perfeição formal a todo custo. Aspectos importantes para essa estética perfeita são:

Rimas Ricas: evitam-se palavras da mesma classe gramatical. Há uma ênfase das rimas do tipo ABAB para estrofes de quatro versos, porém também muito usada as rimas ABBA.

Valorização dos Sonetos: dá-se preferência aos sonetos, composição dividida em duas estrofes de quatro versos, e duas estrofes de três versos. Revela a "chave" do texto no último verso, ou seja, o tema.

Metrificação Rigorosa: o número de sílabas poéticas deve ser o mesmo em cada verso, preferencialmente com dez (decassílabos) ou doze sílabas(versos alexandrinos ou dodecassílabos), os mais utilizados no período.

Descritivismo: grande parte da poesia parnasiana é baseada em objetos inertes, sempre optando pelos que exigem uma descrição bem detalhada, por isso, mais ornamentados, como visto em  "A Estátua", "Vaso Chinês" e "Vaso Grego“, de Alberto de Oliveira.

Presença do cavalgamento: ocorre quando o verso termina quanto à métrica (pois chegou na décima sílaba), mas não terminou quanto à ideia, quanto ao conteúdo, que se encerra no verso de baixo. O verso depende do contexto para ser entendido. Tática para priorizar a métrica e o conjunto de rimas.

Exemplo:

"Che guei, che gas te. Vi nhas fa  ti GA dae tris tee tris tee fa  ti ga doeu VI nha.“ (decassílabos)

- Temática Greco-Romana

A estética é muito valorizada no Parnasianismo, mas mesmo assim, o texto precisa de um conteúdo. A temática abordada pelos parnasianos recupera temas da Antiguidade Clássica, características de sua história e sua mitologia. É bem comum os textos descreverem deuses, heróis, fatos lendários, personagens marcados na história e até mesmo objetos.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS...

O Parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do Parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas como na França. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui totalmente o subjetivismo. Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto.

 Quanto ao assunto, caracteriza-se pela objetividade, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita (formalismo) quanto à construção e à sintaxe.

Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a chamada tríade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Luís Delfino, Bernardino Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Antônio Augusto de Lima, Luís Murat e Mário de Lima.

Para ilustrar nossa aula, um poema de Olavo Bilac:

 

 

WinkAté a próxima!

 Michelle Nunes



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