O BARROCO NO BRASIL

Fala, galera!
Vamos continuar com o estudo sobre o Barroco? Agora é conferir sobre como esse estilo de época europeu se refletiu em nosso país, ainda colonial.

Bons estudos! Laughing 


O BARROCO COMO MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA

Ainda como colônia pouco explorada, o Brasil do século XVII resume-se a poucos centros urbanos, como Salvador e Recife, que apresentavam alguma organização social. Assim, o público leitor nesse momento ainda é muito pequeno, restrito aos poucos acadêmicos aqui existentes. Por essa feita, pode-se dizer que o Barroco brasileiro foi uma forma de “manifestação literária”, conforme defende o teórico Antônio Cândido (em Formação da Literatura Brasileira), por se tratar de um momento inicial da formação do país e, por isso, não apresentar as condições necessárias para configurar uma literatura nacional:

“Entre eles [denominadores para formar uma literatura nacional] se distinguem: a existência de um conjunto de produtores literários, mais ou menos conscientes do seu papel; um conjunto de receptores, formando os diferentes tipos de público, sem os quais a obra não vive; um mecanismo transmissor, (de modo geral, uma linguagem, traduzida em estilos), que liga uns a outros. O conjunto dos três elementos dá lugar a um tipo de comunicação inter-humana, a literatura, que aparece, sob este ângulo como sistema simbólico, por meio do qual as veleidades mais profundas do indivíduo se transformam em elementos de contacto entre os homens, e de interpretação das diferentes esferas da realidade.” (pp. 80-81)

Portanto, falar sobre Literatura Nacional, sob essa perspectiva, somente a partir do século XIX, quando há uma produção literária direcionada a um público-leitor regular. Entretanto, reconhece-se que a produção realizada nesta época possui grande importância e profundidade no que se relaciona aos temas abordados, seguindo as características do estilo europeu.

 

A MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA BARROCA NO BRASIL

Conta-se com a publicação do poema épico “Prosopopeia”, em 1601, do português criado no Brasil, Bento Teixeira,  como sendo o marco inicial do Barroco no Brasil. O poema, curto,  não se destaca como uma obra literária de grande relevância.

Dois nomes destacam-se nesse cenário: os portugueses Gregório de Matos Guerra e Padre António Vieira .

GREGÓRIO DE MATOS

Gregório de Matos Guerra nasceu em Portugal e viveu grande parte de sua vida na Bahia, Brasil. Sua obra poética divide-se em 3 partes: lírica, satírica e religiosa. Seus poemas apresentam uma profunda preocupação com a fugacidade da vida, a efemeridade da realidade, por isso, nota-se uma certo pessimismo na lírica de Gregório.  Quanto à estrutura, há uma preferência pelo uso de sonetos. Há uma influência cultista nos poemas líricos e religiosos, com o predomínio de paradoxos, antíteses, hipérboles e hipérbatos.

POESIA SATÍRICA

O poeta retrata a sociedade baiana do séc XVII no aspecto social e político. Há o uso de um vocabulário de registro coloquial, contribuindo para o conhecimento, hoje, do uso linguístico do período colonial.

 


POESIA LÍRICA (AMOROSA)
A visão sobre o amor é marcada pela dualidade: salvação X pecado; prazer X culpa; corpo X alma. Por isso, a figura feminina é quase sempre retratada como anjo X pecadora, fazendo dele, eu-lírico, também pecador por desejar o sentimento e a carne.

 


POESIA RELIGIOSA

Vimos que o autor vive sob a dualidade no amor. E essa culpa por amar e, principalmente, desejar o corpo feminino, cria um eu-lírico dividido entre o pecado e a salvação. Há, por isso, a busca pela salvação da alma. Nos poemas religiosos, Gregório de Matos argumenta sobre seus atos, defende-se utilizando, mesmo, a Bíblia como instrumento de argumentação.

 

 


PADRE ANTÓNIO VIEIRA

Jesuíta formado no Brasil, acolhido pela Cia de Jesus, António Vieira é trazido para o nosso país com a missão de catequizar os índios, mas sua vida ultrapassou esse limite. Reconhecido como o maior pregador da história, Vieira escreveu textos em defesa dos índios e dos negros, e também escreveu sobre o império português. Por isso, é  o escritor cuja visão foi vanguardista, por ser contrário a qualquer tipo de escravidão, a qualquer injustiça.

Nascido em Portugal e morto na Bahia, Pe António Vieira  assinou, entre diversos textos,  “Os Sermões”, entre eles o mais famoso, “O Sermão da Sexagésima”, revelando sua elaboração linguística: é preciso uma leitura mais atenta, por se tratar de uma escrita conceptista, cuja trama textual acaba por confundir o leitor mais distraído.

“Textos da melhor qualidade do ponto de vista estilístico do cuidado com a língua,  da utilização das palavras e das frases.” (Profa Cleonice Berardinelli)

 

Para conhecer mais, assista à primeira parte do programa do jornalista Anselmo Gois, “De lá pra cá”, a respeito do jesuíta:

 

Cool VAMOS TREINAR UM POUCO?

Leia com atenção o poema a seguir e marque a opção correta.

À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, 
Depois da Luz se segue a noite escura, 
Em tristes sombras morre a formosura, 
Em contínuas tristezas a alegria. 
 

Porém se acaba o Sol, por que nascia? 
Se formosa a Luz é, por que não dura? 
Como a beleza assim se transfigura? 
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, 
Na formosura não se dê constância, 
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância, 
E tem qualquer dos bens por natureza 
A firmeza somente na inconstância.

(Gregório de Matos Guerra)


Sobre o tema central do soneto acima é correto dizer

a) o eu-lírico aborda a superficialidade sobre as aparências.

b) há uma visão dicotômica entre a grandeza divina e a pequenez do homem.

c) há a preocupação com a efemeridade da vida.

d) o eu-lírico expõe sobre o sofrimento amoroso em função do sentimento de culpa.

e) o eu lírico expõe a dualidade dos sentimentos do homem barroco.

 

GABARITO:

Então, queridos candidatos, veja que a questão não aborda sobre as característica do poeta de uma forma geral,  mas sim sobre que tema é citado no texto poético usado.  É claro que a característica de sua produção literária acaba por aparecer neste momento. E, nesse caso, todas as opções são caracteríticas da escrita de Gregório de Matos. No entanto, somente uma: a preocupação com efemeridade salta como assunto principal desse poema; desde seu título, no uso da palavra "instabilidade", até no corpo do texto, com palavras e expressões como "não dura", "morre a formosura", "transfigura", "inconstância".

PORTANTO, é a letra [C]

 

Espero que tenham aproveitado bastante a aula! Deixem seus comentários!
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Até a próxima!

Michelle Nunes Wink



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