A LITERATURA QUINHENTISTA NO BRASIL

Oi, gente!

No estudo da Literatura Brasileira, vemos a sua história a partir do século XVI, quando há a chegada dos portugueses a essa terra misteriosa e cheia de riquezas. É importante que você reconheça que não há, efetivamente, um movimento de literatura como ocorrerá nos séculos adiante, mas sim, uma produção de documentos a respeito de nossa terra, expondo um olhar "externo", expresso num plano de linguagem elaborada, caracterizando, por isso, a composição literária. Vamos seguir?

 

HISTÓRIA ___________________________

A Europa, no século XVI, está no auge do Renascimento, quando as Grandes Navegações consolidam o capitalismo mercantil, com o desenvolvimento da manufatura e do comércio internacional.

A Igreja encontra-se dividida: a burguesia e seus interesses por meio da Reforma Protestante versus  as forças tradicionais reafirmando os dogmas medievais por meio da Contrarreforma.

Portugal investe no Brasil durante a transição da Idade Média para a Idade Moderna. A prioridade é o comércio, e o país recém-descoberto não apresenta as mesmas vantagens do Comércio das Índias.

A colonização inicia-se  mesmo depois da expedição de Martim Afonso, em 1530, e da criação das capitanias hereditárias, com a extração de pau-brasil.

Em 1549, o Governo Geral e os jesuítas chegam ao Brasil, fundando missões, catequizando os índios e fundando os primeiros colégios na nova terra.

 Veja, nas palavras de Fernando Pessoa, autor do modernismo português, por meio da leitura do ator Paulo José, o sentimento português dos grandes navegadores:

X. MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem querer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

LITERATURA ________________________

                O Quinhentismo compreende as manifestações literárias ocorridas no Brasil durante o século XVI, momento da introdução da cultura europeia em terras brasileiras, não é, pois, escola literária. Por isso, não existia efetivamente uma literatura brasileira, o que havia eram notícias, sob forma epistolar, na maioria das vezes, sobre a  nova terra. Assim, cartas e crônicas marcaram a produção literária e não literária do Brasil nessa época.

                A carta de Pero Vaz Caminha é o primeiro documento literário brasileiro. É uma composição de extrema riqueza descritiva, que lança mão de estratégias narrativas e de figuras de linguagem para mostrar ao rei como era o outro lado do Oceano. Outras manifestações de valor documental também mostravam o enfoque na conquista material, a descrição da colônia, exaltando a nova terra, formando as “Crônicas de Viagem”. Esse primeiro momento foi chamado de literatura informativa.

"De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito fremosa. (...) Nela até agora não pudemos saber que haja ouro nem prata... porém a terra em si é de muitos bons ares assim frios e temperados como os de Entre-Doiro-e-Minho. Águas são muitas e infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar dar-se-á nela tudo por bem das águas que tem, porém o melhor fruto que nela se pode fazer me parece que será salvar esta gente e esta deve ser a principal semente que vossa alteza em ela deve lançar"

                Agentes da Contrarreforma, os jesuítas chegaram ao Brasil, na segunda metade do século, com a missão de educar e catequizar os índios, fundando suas primeiras missões e colégios. Inicialmente, por ter a intenção moralizante, os textos eram didáticos, sob a forma do gênero dramático, interpretado aos índios; havia também a poesia de devoção e as cartas que informavam sobre o trabalho da catequese. Esse material marcou o que ficou conhecido como literatura jesuítica.

AUTORES DO QUINHENTISMO QUE ABORDARAM SOBRE O BRASIL:

PERO DE MAGALHÃES GÂNDAVO, com Tratado da Terra do Brasil (escrito, provavelmente em 1570, mas publicado em 1826) e História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos Brasil (1576);

PADRE FERNÃO CARDIM, com Narrativa epistolar (1583) e Tratados da terra e da gente do Brasil;

GABRIEL SOARES DE SOUSA escreveu Tratado descritivo do Brasil (1587);

PE. MANOEL DA NÓBREGA, Diálogo sobre a conversão dos gentios (1557);

FREI VICENTE DO SALVADOR, História do Brasil (1627);

HANS STADEN, Duas Viagens ao Brasil,(1557);

JEAN DE LÉRY, Viagem à Terra do Brasil, (1578);

JOSÉ DE ANCHIETA, destaque na literatura jesuítica. Produziu poesias líricas, épicas, teatro (autos), além de cartas, sermões e uma gramática da língua tupi.



CAIU NO ENEM

 

 (ECKHOUT, A. “Índio Tapuia” (1610-1666))

A feição deles é serem pardos, maneira d’avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos.

Andam nus, sem nenhuma cobertura, nem estimam nenhuma cousa cobrir, nem mostrar suas vergonhas. E estão acerca disso com tanta inocência como têm em mostrar o rosto.

(CAMINHA, P. V. A carta. www.dominiopublico.gov.br.)

 

Ao se estabelecer uma relação entre a obra de Eckhout e o trecho do texto de Caminha, conclui-se que:

a) ambos se identificam pelas características estéticas marcantes, como tristeza e melancolia, do movimento romântico das artes plásticas.  

b) o artista, na pintura, foi fiel ao seu objeto, representando-o de maneira realista, ao passo que o texto é apenas fantasioso.  

c) a pintura e o texto têm uma característica em comum, que é representar o habitante das terras que sofreriam processo colonizador.  

d) o texto e a pintura são baseados no contraste entre a cultura europeia e a cultura indígena.  

e) há forte direcionamento religioso no texto e na pintura, uma vez que o índio representado é objeto da catequização jesuítica.

 

GABARITO

A pintura mostra exatamente o que o texto diz quando descreve a naturalidade com que os índios se portavam, andando nus, sem vergonha de seus corpos, sem esconder suas faces - na pintura, o índio observa o espectador.

LETRA [C]

 

Até a próxima! Seguindo esta aula, teremos o Barroco. 

 

Mi Nunes Wink



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