CLASSES DE PALAVRA: O VERBO (III) ASPECTO VERBAL

E aí, galera? Vamos à última aula sobre verbos!

Segundo o título, aqui será visto o “aspecto verbal”, no entanto, antes, é preciso ver sobre a flexão do verbo – o que o torna classe gramatical variável. Boa aula!

 

FLEXÃO

É a variação sofrida na estrutura da forma verbal. Como vimos na aula sobre a estrutura morfológica do verbo, as desinências são as terminações responsáveis por essa alteração.

Assim, a flexão ocorre por meio do MODO, TEMPO, NÚMERO E PESSOA.

A)     MODO

Flexão responsável por indicar uma atitude do falante:

- Indicativo: revela certeza em relação à ação verbal.

- Subjuntivo: revela a dúvida ou hipótese sobre a ação verbal;

- Imperativo: revela ordem, pedido, orientação sobre a ação verbal.

 

B)      TEMPO

Flexão responsável por indicar o momento da ação verbal. Os tempos aparecem no presente, no pretérito e no futuro.

Os modos apontarão as variações dos tempos verbais.

 

C)      NÚMERO E PESSOA

Há três pessoas do discurso: 1ª (quem fala), 2ª (a quem se fala), 3ª (sobre o que se fala). Essas pessoas se diferenciam também em número, podendo se apresentar no singular ou no plural. São representadas pelos pronomes pessoais:

SINGULAR -  1ª: EU / 2ª: TU / 3ª: ELE/ELA

PLURAL – 1ª: NÓS / 2ª: VÓS / 3ª:  ELES / ELAS

 

Veja o valor de sentido expresso pelos tempos verbais conforme os modos.

1.       MODO INDICATIVO:

PRESENTE

  • ação ocorrida no momento da fala: Estou na praia com meus amigos.
  • ação ocorrida habitualmente: Aquele é o restaurante onde almoço.
  • ação a ocorrer no futuro: Amanhã é o teste.
  • ação com valor de passado histórico ( com intenção de aproximar o evento distante, mantendo-o atual): Em 1500 é descoberto o Brasil.

PRETÉRITO

PERFEITO

  • ação acabada, finalizada: Comprei toda a coleção.

IMPERFEITO

  • ação inacabada: Sentava-se e lia todo o romance.
  • ação habitual no passado: Fecharam o restaurante onde almoçava.
  • ação que expressa cortesia:  Queria um café, por favor.

MAIS-QUE-PERFEITO

  • ação anterior à ação acabada (o passado do passado): Ela já acabara o banho quando ele chegou.

- pode ser substituído pela forma composta: havia acabado

FUTURO

DO PRESENTE

ação de certeza no futuro: Farei a prova no sábado. (o uso mais comum é o do tempo composto: “vou fazer”, mas diga-se que é considerado informal).

DO PRETÉRITO

  • expressa a certeza da ação que não foi concluída, portanto, não ocorrerá, por ter sido interrompida por algo: Faria a prova no sábado, mas desmarcaram.
  • expressa a certeza de uma ação colocada de forma hipotética: Faria o gol, se chutasse com precisão.
  • expressa cortesia: Poderia vir aqui?

 

2.       MODO SUBJUNTIVO

                PRESENTE

Que você seja feliz!

Quer queira, quer não, a ordem foi dada.

                 PRETÉRITO IMPERFEITO

Se ouvisse, se gritasse, se lutasse, não teria sido em vão.

                 FUTURO

Ao voltar em casa, viu o que não queria.

Se eu puder cantar, cantarei.

 

ASPECTO VERBAL

O aspecto verbal tem a ver com o tempo gasto na duração do processo verbal. Esse assunto é estudado sob três pontos de vista:

completando o processo

1. Aspecto perfectivo:

O processo é apresentado totalmente, com começo, meio e fim, podendo ser durativo ou pontual.

 Ela comprou tudo em dois dias. (durativo)

 Corri ontem. (pontual)


2. Aspecto imperfectivo:

O processo é incompleto, inacabado.

Almoçava sempre ali.

Corria desde criança.


Duração do processo

1. Aspecto durativo:

Duração contínua:

A água ferve a 100o.
A obra está durando dois meses.

2. Aspecto pontual ou momentâneo:

Não há a duração.

Fiz o trabalho e saí.

Corremos semana passada.

3. Aspecto iterativo:

Ideia de repetição.

Ao entrar em campo, benzia-se primeiro. (iteração pontual)
Ela escreveu cem vezes que o amava. (iteração pontual)
Ele tem escrito sempre para mim. (iteração durativa)


Quanto ao desenvolvimento do processo

1. Aspecto inceptivo:

O processo é visto pelo seu início.

Quando chegou, acendeu a luz da cozinha e comeu.

2. Aspecto cursivo:

O processo é apresentado durante o seu desenvolvimento.

Enquanto ela falava, o filho ria.

3. Aspecto terminativo ou cessativo:

O processo está no seu término.

Então, era como prevíamos o final: ele passou no vestibular.


Para descontrair, uma da internet:


VAMOS FAZER UMA QUESTÃO DO ENEM?

A substituição do haver por ter em construções existenciais , no portugues doi Brasil, corresponde a um dos processos mais característicos da hiostória da língua
portuguesa, paralelo ao que já ocorrera em relação à ampliação do domínio de ter na área semântica de “ posse” , no final da fase arcaica. Mattos e Siva (2001:136) analisa
as vitórias de ter sobre haver e discute a emergencia de ter existencial, tomando por base a obra pedagógica de João de Barros. Em textos escritos nos anos quarenta e
cinquenta do século XVI, encontram-se evidencias , embora raras, tanto de ter “existencial”, não mencionado pelos clássicos estudos de sintaxe histórica, quanto de
haver como verbo existencial com concordância, lembrado por Ivo Castro ,e anotado como “novidade” no século XVIII por Said Ali.
Como se vê , nada é categórico e um purismo estreito só revela um conhecimento deficiente da língua. Há maios perguntas que respostas. Pode-se conceber uma
norma única e prescritiva? É válido confundir o bom uso e a norma da própria língua e dessa forma fazer uma avaliação crtica e hierarquizante de outros usos e, através
deles, dos usuários? Substitui-se uma norma por outra?
CALLOU,D.A propósito de norma, correção e preconceito linguistico:do presente para o passado. IN: Cadernos de Letras da UFF, n. 36, 2008. Disponível em : www.uff.br. Acesso em :26 fev 2012 (adaptado)

Para a autora, a substituição de “haver” por “ter” em diferentes contextos evidencia que
a) O estabelecimento de uma norma prescinde de uma pesquisa histórica.
b) Os estudos clássicos de sintaxe histórica enfatizam a variação e a mudança na língua.
c) A avaliação crítica e hierarquizante dos usos da língua fundamenta a definição da norma.
d) A adoção de uma única norma revela uma atitude adequada para os estudos linguisticos.
e) Os comportamentos puristas são prejudiciais à compreensão da constituição linguistica.

GABARITO

Letra E.

Continuem estudando!

Até a próxima!

Michelle Nunes Wink



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