OS TIPOS DE INTERTEXTUALIDADE - parte 2

Fala, galera!

Na aula de hoje, vamos finalizar o estudo sobre os tipos de intertextualidade. No post anterior, vimos conceitos importantes, como paródia, paráfrase, epígrafe e citação. Agora, veremos novas relações intertextuais. Preparados? Vamos lá!

 

  • ESTILIZAÇÃO

A estilização ocorre quando um texto baseia-se em outro, complementando o seu sentido. Não há a exata manutenção do sentido do texto original, reorganizado com outras palavras, como na paráfrase, tampouco a inversão de sentido, como na paródia. Há apenas uma complementação da ideia. É uma maneira de recriar uma obra, trazendo a ela “estilopróprio, renovando-a.

Um bom exemplo foi a adaptação que a Rede Globo fez de um dos clássicos de nossa literatura – “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. A minissérie, que foi ao ar em 2008 – ano de centenário do poeta – foi escrita por Euclydes Marinho, com a colaboração de Daniel Piza, Luís Alberto de Abreu e Edna Palatnik e direção geral e de núcleo de Luiz Fernando Carvalho. Chamava-se “Capitu”, em uma clara referência a uma das personagens do livro. A minissérie brasileira é um caso típico de estilização, pois revisita os famosos trechos do livro, dando à história ares modernos, complementando-a em um estilo próprio.  Vejam, a seguir, o fragmento do último capítulo do livro de Machado e, logo abaixo, um vídeo com a última cena de “Capitu”.

Último capítulo do livro “Dom Casmurro”:

CAPÍTULO CXLVIII / E BEM, E O RESTO?

Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. Mas não é este propriamente o resto do livro. O resto é saber se a Capitu da praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum caso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu cap. IX, vers. 1: “Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti”. Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.

E bem, qualquer que seja a solução, uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve! Vamos à “História dos Subúrbios”.

Machado de Assis, Dom Casmurro.

 

Cena final da minissérie “Capitu”:


 

  • PASTICHE

Intertextualidade que consiste no bom e velho plágio. O pastiche é uma imitação, com intenção pejorativa.

http://chaficjbeili.blogspot.com.br

 

  • HIPERTEXTO

Assunto bastante comum nas provas do ENEM, o hipertexto é uma espécie de um texto maior formado por vários outros elementos textuais, que permitem a leitura em múltiplas direções. Esse termo está associado, também, à informática, uma vez que também se designa como um sistema de textos eletrônicos conectados através dos chamados “links”. O hipertexto trabalha exatamente com a ideia de leitura e escrita não linear. São vários os exemplos, dentre eles, temos: as notas de rodapé, o próprio dicionário, os verbetes de enciclopédia, as páginas de internet com seus diversos links.

A imagem a seguir reproduz bem essa ideia:

(www.estudar.org)


CAIU NO ENEM

(ENEM 2011)

O hipertexto refere-se à escritura eletrônica não sequencial e não linear, que se bifurca e permite ao leitor o  acesso a um número praticamente ilimitado de outros textos a partir de escolhas locais e sucessivas, em tempo real.  Assim, o leitor tem condições de definir interativamente o fluxo de sua leitura a partir de assuntos tratados no  texto sem se prender a uma sequência fixa ou a tópicos estabelecidos por um autor. Trata-se de uma forma de  estruturação textual que faz do leitor simultaneamente coautor do texto final. O hipertexto se caracteriza, pois,  como um processo de escritura/leitura eletrônica multilinearizado, multisequencial e indeterminado, realizado  em um novo espaço de escrita. Assim, ao permitir vários níveis de tratamento de um tema, o hipertexto oferece  a possibilidade de múltiplos graus de profundidade simultaneamente, já que não tem sequência definida, mas  liga textos não necessariamente correlacionados.

MARCUSCHI, L. A. Disponível em: http://www.pucsp.br. Acesso em: 29 jun. 2011.

 

O computador mudou nossa maneira de ler e escrever, e o hipertexto pode ser considerado como um novo  espaço de escrita e leitura. Definido como um conjunto de blocos autônomos de texto, apresentado em meio  eletrônico computadorizado e no qual há remissões associando entre si diversos elementos, o hipertexto

 

a) é uma estratégia que, ao possibilitar caminhos totalmente abertos, desfavorece o leitor, ao confundir os  conceitos cristalizados tradicionalmente.

b) é uma forma artificial de produção da escrita, que, ao desviar o foco da leitura, pode ter como consequência o menosprezo pela escrita tradicional.

c) exige do leitor um maior grau de conhecimentos prévios, por isso deve ser evitado pelos estudantes nas  suas pesquisas escolares.

d) facilita a pesquisa, pois proporciona uma informação específica, segura e verdadeira, em qualquer site de busca ou blog oferecidos na internet.

e) possibilita ao leitor escolher seu próprio percurso de leitura, sem seguir sequência predeterminada, constituindo-se em atividade mais coletiva e colaborativa.

 

 

Comentário: O hipertexto permite ao leitor selecionar informações e dinamizar sua leitura em múltiplas direções. Um link, por exemplo, leva-nos a ter acesso a informações variadas, de acordo com nosso interesse. Dessa forma, a  atividade hipertextual mostra-se democrática, coletiva e colaborativa – como demonstrado na alternativa “E”.

 

 

Bem, encerramos aqui o assunto intertextualidade. Até nosso próximo encontro! ENEM chegando, galera!!!

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