Conceitos básicos de intertextualidade.

Fala, galera!

Vocês já pararam para pensar de onde vem a inspiração quando elaboramos um texto, criamos uma história, compomos uma música, fazemos um desenho? Já pararam para refletir que tudo o que é elaborado se baseia em toda experiência de vida, nas coisas que vocês já viram ou já leram? Além disso, é comum nos deparamos com certos trechos de músicas, de filmes, de poemas e termos a sensação de que já vimos algo parecido antes. Será que cabe aqui aquele velho ditado que diz que “Hoje nada se cria, tudo se copia?”.  Na verdade, há, muitas vezes, uma recriação, uma releitura de textos e isso não quer dizer que a criatividade não seja explorada.

Muitos anúncios publicitários se utilizam disso de forma original. Observem a imagem a seguir:

A campanha publicitária acima da Rede de hortifrutigranjeiros Hortifruti é um exemplo de como se pode explorar essa relação entre diferentes obras. Famosos filmes de Hollywood serviram de pano de fundo para a campanha, que criou títulos de filmes, a partir de outros já existentes. Note que a função lúdica da propaganda está aliada ao ato de fazer com que o leitor note esse diálogo. A aproximação de “Hollywood” com “Hortifruti”; o nome “E o coentro levou” fazendo referência ao clássico “E o vento levou”, “Limão impossível 3” brincando com o famoso “Missão impossível 3”; “A incrível rúcula” no lugar de “O incrível Hulk” – tudo isso mostra que os anúncios dialogam com os filmes. A esse diálogo damos o nome de intertextualidade.

Intertextualidade é a relação que há entre dois ou mais textos, de mesma natureza ou de naturezas diferentes.

 

SE LIGA!

Cultura é fundamental!

Muitas vezes, para que uma intertextualidade seja de fato percebida, é importante que o leitor possua um conhecimento prévio de determinadas obras. É muito frequente um texto retomar passagens de outro. Essa intertextualidade pode ser feita de forma implícita, normalmente em textos literários, ou seja, não há necessariamente uma indicação do autor ou da obra de onde foram retiradas determinadas passagens citadas, pois se pressupõe que o leitor compartilhe com o escritor um conjunto de informações a respeito das obras que formam certo universo cultural.

Um bom exemplo disso são os vídeos a seguir. O primeiro (original) mostra o famoso Festival de Música da Record, gravado em 1967. Nele, apresentaram-se expoentes da Música Popular Brasileira, dentre eles o grande cantor, poeta e compositor Chico Buarque de Holanda. No original, Chico é ovacionado ao cantar “Roda Viva”. Logo depois, vemos um vídeo bem mais recente, feito pelo programa “Comédia MTV”, intitulado “Indiretas Já”. Ele mostra desde críticas à alienação gerada pela mídia até escândalos políticos, por exemplo. Os próprios nomes “Chique com arte” e “Indiretas Já” são trocadilhos com o nome de “Chico Buarque” e com o movimento “Diretas Já”, reiterando a ideia. Confiram:

1º) Vídeo (original) - "Festival de Música Record" - 1967:

 

2º) Vídeo  - "Comédia MTV" - 2012:

 

CAIU NO ENEM

(ENEM) Quem não passou pela experiência de estar lendo um texto e defrontar-se com passagens já lidas em outros? Os textos conversam entre si em um diálogo constante. Esse fenômeno tem a denominação de intertextualidade. Leia os seguintes textos:

I. Quando nasci, um anjo torto

Desses que vivem na sombra

Disse: Vai Carlos! Ser “gauche” na vida   

                  (ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. Rio de Janeiro: Aguilar, 1964)

II. Quando nasci veio um anjo safado

O chato dum querubim

E decretou que eu tava predestinado

A ser errado assim

Já de saída a minha estrada entortou

Mas vou até o fim.  

                  (BUARQUE, Chico. Letra e Música. São Paulo: Cia das Letras, 1989)

III. Quando nasci um anjo esbelto

Desses que tocam trombeta, anunciou:

Vai carregar bandeira.

Carga muito pesada pra mulher

Esta espécie ainda envergonhada.

                  (PRADO, Adélia. Bagagem. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986) 

Adélia Prado e Chico Buarque estabelecem intertextualidade, em relação a Carlos Drummond de Andrade, por:

a) reiteração de imagens.

b) oposição de idéias.

c) falta de criatividade.

d) negação dos versos.

e) ausência de recursos.

 

Comentário: Notem que há uma releitura, um diálogo entre os três fragmentos. Essa intertextualidade pode ser notadas através da repetição, ou seja, da reiteração de uma estrutura. Não há falta de criatividade, oposição ou negação de ideias, tampouco ausência de recursos. Os textos se revisitam de forma inovadora. A essa relação entre eles dá-se o nome de intertextualidade. Dessa forma, o gabarito é a alternativa “A”.


Gostaram? Comentem!

Por hoje é só, mas não percam a próxima aula sobre “Tipos de Intertextualidade”. Wink


 



@ copyright ( Sou + ENEM ) 2018. Todos os Direitos reservados.

Logo Webteria