O TEXTO E SUA SIGNIFICAÇÃO

Fala, galerinha!

Vocês conhecem a origem da palavra “texto”? Nunca pararam para pensar nisso? Bem, esse vocábulo tão comum em seus estudos vem do latim “textum”, que por sua vez significa “tecido”. Assim, podemos afirmar que, para se construir uma unidade textual, as frases que a compõem devem estar “costuradas”, ou seja, interligadas. Observe o exemplo a seguir:

Luisa estava doente. A bolsa de valores estava em baixa. A raiz quadrada de quatro é dois. Meu pai não me compreende.

Reparem como não há uma conexão entre as ideias, o que dificulta o entendimento. Esse conjunto de frases forma um amontoado desorganizado e não um texto. É preciso compreendermos que, para que uma determinada unidade seja considerada um texto, é necessário que informações sejam transmitidas com clareza. Além disso, uma das características fundamentais para uma boa leitura é relação de dependência existente entre as partes de um texto. Veja a tirinha a seguir:

Fonte: http://tirinhasdogarfield.blogspot.com

Notem que o primeiro quadrinho não é independente. O significado da tira ficaria comprometido sem o resto. Entretanto, deve-se ressaltar que o sentido global de um texto não é consequência apenas da soma de suas partes, mas sim de uma combinação criadora de sentidos. O propósito da tirinha só é captado a partir da sequência textual.

 

A importância do contexto para a interpretação textual

Um ponto importante que deve ser levado em consideração é o chamado contexto.  Uma frase pode ter diferentes sentidos dependendo do contexto em que esteja inserida. Para compreendermos melhor isso, analisemos o exemplo a seguir:

“O marido pergunta a sua esposa:

- O cabeleireiro estava de mau humor quando cortou o seu cabelo?”

Poderíamos imaginar dois significados completamente distintos para esse pequeno texto, dependendo da situação em que fora criado. O marido poderia estar simplesmente perguntando sobre o humor do cabeleireiro ou fazendo uma crítica ao corte de cabelo feito. No entanto, ao termos conhecimento do propósito  cômico, por se tratar de uma piada, ficamos com a segunda opção.

A polifonia

Outro fator que merece destaque é o fato de todo texto ter pronunciamentos, ou seja, “vozes” dentro de uma discussão maior. A esse fenômeno, damos o nome de polifonia. Um texto não é uma “peça isolada” – há uma relação através de marcas textuais que estabelecem um “diálogo” com outros textos. Para exemplificar o que foi dito, vejam o texto a seguir que circula na internet, de autoria desconhecida:

 O MENOR CONTO DE FADAS DO MUNDO

Era uma vez uma bela moça que pediu um garoto em casamento:

- Você quer se casar comigo?

Ele respondeu:

- Não!!!

E a moça viveu feliz para sempre, não teve filhos, viajou, conheceu muitos outros garotos, fez plásticas, não lavou louça nem fez jantar, visitou muitos lugares, sempre estava sorrindo e de ótimo humor, nunca lhe faltava pretendentes, ia e voltava a hora que queria, saía pra jantar com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.

E o garoto? Ficou velho, careca, barrigudo e ficou sozinho...

Notem que o texto desconstrói a visão que temos, muitas vezes, do “final feliz”, relatado nos tradicionais contos de fadas. Normalmente, idealiza-se um final em que o amor entre os seres se concretiza e, então, eles são felizes para sempre, juntos. No caso acima, o texto dialoga com os contos anteriores, trazendo uma perspectiva nova de felicidade, possivelmente mais adaptada à época e à sociedade em que foi produzido.

 

CAIU NO ENEM

 

brasil

O Zé Pereira chegou de caravela

E preguntou pro guarani da mata virgem

– Sois cristão?

– Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte

Teterê tetê Quizá Quizá Quecê!

Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu!

O negro zonzo saído da fornalha

Tomou a palavra e respondeu

– Sim pela graça de Deus

Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!

E fizeram o Carnaval

(Oswald de Andrade)

 

(ENEM 2004) A polifonia, variedade de vozes, presente no poema resulta da manifestação do:

a) poeta e do colonizador apenas.

b) colonizador e do negro apenas.

c) negro e do índio apenas.

d) colonizador, do poeta e do negro apenas.

e) poeta, do colonizador, do índio e do negro.

 

 

Comentário: o poema de Oswald de Andrade retrata o Brasil a partir de uma perspectiva étnica, cultural e histórica. Notam-se, ao longo do poema, várias vozes: a do eu-poético ("O Zé Pereira chegou de caravela / E preguntou pro guarani da mata virgem..."), a do português colonizador ("– Sois cristão?"), a do índio ("– Não. Sou bravo, sou forte...") e a do negro ("– Sim, pela graça de Deus..."). Além disso, observa-se uma releitura crítica através da referência ao poema “I Juca Pirama” de Gonçalves Dias, importante poeta de um importante movimento literário no Brasil no século XIX - o Romantismo, como no verso “Sou bravo, sou forte, sou filho da morte”. Já os versos “Teterê Tetê Quizá Quizá Quecê!” e “Canhém Babá Canhém Babá Cum Cum!”, ao serem lidos com uma marcação rítmica, representam a sonoridade de uma batucada. Logo, como se vê, há vários “diálogos” dentro do poema em questão. Em se tratando da polifonia, a resposta correta é a alternativa “E”.


E aí?! O que vocês acharam? O texto acima está claro em seu propósito - facilitar sua vida no ENEM? Comentem Wink



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