O ARCADISMO - A ARTE DA RAZÃO

Olá, galera!

Seguindo em frente!  Após as aulas sobre o Barroco, continuamos a linha histórica da Literatura Brasileira com o movimento literário que o sucedeu: o Arcadismo.

Boa aula!

 

CONTEXTO HISTÓRICO

O Arcadismo inicia-se no ano de 1700 e, por isso, recebe o nome também de Setecentismo, ou ainda, Neoclassicismo. Essa última denominação surge do fato de os autores do período imitarem, em alguns aspectos, a estética da Antiguidade greco-romana ou o chamado Classicismo, bem como os escritores do Renascimento, os quais vieram logo após a Idade Clássica.

Há, neste período, um fortalecimento político da burguesia e o Iluminismo é determinado pela revolução intelectual, gerando o aparecimento dos filósofos iluministas, formando um novo quadro sócio político-cultural, que necessita de outras fórmulas de expressão e não mais o Barroco, já desgastado e decadente a esta altura. Essa nova postura traz como lema: liberdade, igualdade e fraternidade, o que influencia os pensamentos artísticos da época na Europa, e fundamenta, principalmente, a Revolução Francesa, a independência das colônias inglesas da América Anglo-Saxônica e, no Brasil, a Inconfidência Mineira.

  

A ESCOLA LITERÁRIA

O Arcadismo é resultado da influência inspirada numa lendária região da Grécia Antiga.

O neoclassicismo tem maior influência em torno dos modelos do Arcadismo italiano, essencialmente, com a fundação das Academias. Há o pensamento da simulação pastoral e do ambiente campestre, ideais de uma vida simples e natural que vêm ao encontro dos anseios de um novo público consumidor em formação - a burguesia - que historicamente lutava pelo poder e denunciava a vida luxuosa da nobreza nas cortes. 

Por isso, o novo modo de analisar a cientificidade e a racionalidade do período árcade foge das convenções artísticas da época, já que os escritores retomam as características clássicas, como:

  • bucolismo (valorização da vida simples, do campo,  pastoril);
  • exaltação da natureza (é o lugar do refúgio poético em oposição à vida urbana);
  • pacificidade amorosa (há relacionamentos tranquilos);
  • a mitologia pagã; (Mitologia Grega, sobretudo)
  • clareza  e simplicidade na escrita; (não há uma preocupação formal, apesar do uso de sonetos, em muitos casos)
  • fingimento poético (a escrita é feita sob pseudônimo, por tratarem sobre temas que não correspondem com a realidade do período histórico)

Um dos principais escritores árcades foi o poeta latino Horácio, que viveu entre 68 a.C. e 8 a.C., e foi influenciador do pensamento do “carpe diem”, que significa viver agora, desfrutar do presente, adotado pelo Arcadismo e permanente até os dias de hoje. 


O ARCADISMO NO BRASIL

O Arcadismo no Brasil tem início no ano de 1768, com a publicação do livro “Obras” de Cláudio Manuel da Costa.

Nesse período,  Portugal explora suas colônias a fim de conseguir suprir seu déficit econômico. O Brasil está voltado para a era do ouro, da mineração e, portanto, para o estado de Minas Gerais, campo de extração contínua de minérios. No entanto, os minérios começam a ficar escassos e os impostos cobrados por Portugal aos colonos ficam exorbitantes.  Surge, então, a necessidade do Brasil de buscar uma forma de se desvincular do seu explorador. Logo, os ideais revolucionários começam a se desenvolver no Brasil, sob influência das Revoluções Industrial e Francesa, ocorridas na Europa, bem como do exemplo da independência das 13 colônias inglesas.

Enquanto na Europa surge o trabalho assalariado, o Brasil ainda vive o tempo de escravidão. Há um processo de revoltas no Brasil, contudo, a mais eloquente durante o período árcade é a Inconfidência Mineira, movimento que tem envolvimentos dos escritores árcades, como Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa, além do dentista prático Tiradentes.

Como a tendência é do eixo cultural seguir o econômico, os escritores árcades são, na maioria, mineiros, e algumas de suas produções literárias são voltadas ao ambiente das cidades históricas mineiras, principalmente Vila Rica.

Os principais autores árcades são: Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antonio Gonzaga, Basílio da Gama, Silva Alvarenga e Frei José de Santa Rita Durão.

 

O Arcadismo tem como características:

- a busca por uma vida simples, pastoril;

- a valorização da natureza e do viver o presente;

- o fingimento poético (uso de pseudônimos).

 

Pensamentos inspirados por Horácio:

"fugere urbem” - fuga urbana; 

“carpe diem” - aproveitamento da vida;

“aureas mediocritas” - valorização do cotidiano, do simples;

“locus amoenus” - idealização de um refúgio, longe da cidade.

 

PARA CONHECER MAIS:

Claudio Manuel da Costa - http://www.jornaldepoesia.jor.br/cmc.html

Tomás Antonio Gonzaga - http://www.jornaldepoesia.jor.br/tomaz.html

Alvarenga Peixoto - http://www.jornaldepoesia.jor.br/alv.html

Santa Rita Durão - http://www.jornaldepoesia.jor.br/sr01.html 

 

Vamos praticar um pouco?

Essa questão caiu na prova do ENEM de 2008. Confira!

 

Torno a ver-vos, ó montes; o destino (verso 1)
Aqui me torna a pôr nestes outeiros, 

Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Corte, rico e fino. (verso 4)

 

Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros (verso 7)
Atrás de seu cansado desatino.

 

Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia (verso 10)
Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,

 

Aqui descanse a louca fantasia, 
E o que até agora se tornava em pranto (verso 13)
Se converta em afetos de alegria.

 Cláudio Manoel da Costa. In: Domício Proença Filho. A poesia dos inconfidentes. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2002, p. 78-9.

 

Assinale a opção que apresenta um verso do soneto de Cláudio Manoel da Costa em que o poeta se dirige ao seu interlocutor.

a) “Torno a ver-vos, ó montes; o destino” (v.1)

b) “Aqui estou entre Almendro, entre Corino,” (v.5)

c) “Os meus fiéis, meus doces companheiros,” (v.6)

d) “Vendo correr os míseros vaqueiros” (v.7)

e) “Que, da Cidade, o lisonjeiro encanto,” (v.11)

 

GABARITO

O momento em que o eu-lírico chama o interlocutor acontece na opção A, no termo: “ó montes”.

LETRA A

 

Laughing Um grande filme que acabou por propagar a ideia “Carpe diem” com grande sucesso no mundo chama-se “Sociedade dos Poetas Mortos”. A cena mais famosa que trata desse pensamento encontra-se a seguir:

 

Espero que tenham gostado!

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Até a próxima!

Michelle Nunes Wink



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