Revolução Francesa - Aula 01.

Saludos Amigos,

depois das pílulas iniciais vamos partir para o conteúdo propriamente dito?

Os “antecedentes”

É comum que os estudantes sempre procurem a díade causas-consequências, ou antecedentes-desdobramentos. Faremos aqui o uso de argumentos que construirão a nossa linha argumentativa, lembrando sempre que um conjunto de elementos que antecedem uma revolução nem sempre explicam outra.

Uma das correntes de estudo da história (historiografia) mais perceptíveis na construção das reflexões sobre a Revolução Francesa no Brasil é encabeçada pelo historiador marxista francês Albert Soboul. Para o autor a revolução deve ser compreendida a partir do entendimento de uma violentíssima crise econômica e de abastecimento que desencadeou uma escassez significativa de alimentos e em consequência uma grande fome. Logo, percebemos que nas estruturas de sustentação da sociedade francesa existiam fraturas que conduziram à crise que caracteriza a revolução. Para seu melhor entendimento vamos dividir tais problemas franceses em três grupos: socioculturais, econômicos e políticos.

Fatores socioculturais

A sociedade francesa estava estruturada em estamentos. Tal tradição, que remonta a formação do Estado Moderno francês e às estruturas sociopolíticas medievais, colocava os homens em espaços distintos dentro da sociedade. Estruturada pelo critério de hereditariedade a sociedade dividia-se nos representantes do clero católico, nos nobres e na plebe. Existiam mecanismos de ascensão social, como a concessão de títulos nobiliárquicos por influência ou compra, mas em linhas gerais a sociedade apresentava-se estática. As venalidades ou Pauletes, ou seja, a venda de cargos públicos feita pelo rei no intuito de gerar divisas para o Estado, acabava onerando ainda mais o tesouro real, uma vez que o dinheiro arrecadado era usado para o pagamento de juros de dívidas anteriores e o Estado tinha que manter o pagamento de salários vitalícios e hereditários aos compradores do beneficio. Tal estruturação, que estabelecia a desigualdade pelo nascimento, é um importante elemento para compreender a ira, contra as amarras da monarquia, fosse ela popular ou elitista.

É importante ressaltar que uma importante voz contra essa formação partiu de inúmeros escritores iluministas. Apesar de a grande massa populacional ser analfabeta as ideias ganham as ruas e alimentam a sua alma transformadora.

 Fatores econômicos

Essa estrutura estamental conferia uma realidade econômica interessante: a questão dos privilégios. Nobreza e clero não pagavam tributos ao estado, ficando a conta de suas práticas perdulárias para o restante da população. Some-se a isso a dependência da economia francesa da agricultura e os gastos com acordos econômicos desvantajosos e com o envolvimento em guerras, dentro e fora do continente europeu (dois bons exemplos são a Guerra dos Sete Anos e o processo de Independência da Treze Colônias, que você pode conhecer aqui!).

 Fatores políticos

Em frente a tal crise Luis XVI, rei da França, entrega à seu ministro Turgot a responsabilidade de realizar reformas mas os nobre reagiram. O rei então indicou Calonne, que convocou a Assembléia dos Notáveis, de nobres e clérigos (1787). O ministro propôs que esses dois estados abdicassem dos privilégios tributários e pagassem impostos, para tirar o Estado da falência. Os nobres não só recusaram como provocaram revoltas nas províncias onde eram mais fortes. O novo ministro, Necker, convenceu o rei a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, que não se reunia desde 1614. As eleições dos candidatos para a Assembléia realizaram-se em abril de 1789 e coincidiram com revoltas geradas pela péssima colheita desse ano. Em Paris, os panfletos dos candidatos atacavam os erros do Antigo Regime e agitavam os sans-culottes, isto é, os sem-calções, em alusão à peça de roupa dos nobres, que os homens do povo não usavam. Os nobres eram cerca de 200 000 numa Paris com 600 000 habitantes.

Em maio de 1789, os Estados Gerais se reuniram no Palácio de Versalhes pela primeira vez. O terceiro estado foi informado de que os projetos seriam votados em separado, por estado. Isto daria vitória à nobreza e ao clero, sempre por 2 a 1. O terceiro estado rejeitou a condição. Queria votação individual, pois contava com 578 deputados, contra 270 da nobreza e 291 do clero, ou seja, tinha maioria absoluta. E ainda contava com os votos de 90 deputados da nobreza esclarecida e 200 do baixo clero, uma vez que não havia homogeneidade entre esses estados. Frente à demora do rei em aceitas as reivindicações do terceiro estado, o mesmo se separa dos demais estados e se auto proclama em Assembléia Nacional Constituinte. Dos palácios começariam a ecoar as vozes da transformação. O próximo passo seria ganhar as ruas!

Bem amigos, nos vemos no próximo encontro. E não se esqueça: "não vá se perder por ái!"

 

 

 

 



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