Revolução Francesa: Introdução

Saludos Amigos,

Hoje iniciaremos a nossa série de aulas que contemplarão um dos processos revolucionários mais representativos do ocidente: a Revolução Francesa. E hoje, partiremos de algumas perguntas muito comuns entre os meus alunos:

“Paulo, por qual motivo estudamos tanto a Revolução Francesa?”

Essa não é uma pergunta de fácil resposta. Os historiadores escolhem marcos para localizar a passagem do tempo. E tal Revolução foi escolhida para marcar a passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Ou seja, por ser um marco tão significativo já é indicativo de alguma coisa.

“Está bem Paulo, mas o que justifica essa sua tão grande importância?”

Existem alguns eventos que marcam a emergência do novo. Não era a primeira vez da história que havia um levante contra as marcas da autoridade real, tampouco contra a exploração. Se voltarmos à Antiguidade, passando pela Idade Média, ou mesmo na própria Idade Moderna, encontraremos inúmeros exemplos. Até mesmo um rei já havia “perdido a cabeça” durante a Revolução Puritana na Inglaterra (1640-1649). Contudo, a Revolução de que tratamos marca uma manifestação política que alterará, ainda que em um determinado tempo, as estruturas sociais e políticas então vigentes. Em outras palavras: é um abalo importante naquilo que convencionamos chamar de Antigo Regime (Não sabe do que se trata? Clique aqui).

 “Mas Paulo, e o papel da burguesia?”

Outro ponto importante! Podemos pensar na Revolução Francesa como o evento que marcaria o período que caracteriza a chegada dos segmentos burgueses ao poder. Entretanto, é preciso que tomemos cuidado com certas generalizações! Quando utilizamos conceitos como burguesia, populares, nobreza, povo, entre outros, estamos esquecendo que existem inúmeras fragmentações internas nesses grupos. Uma dos conceitos mais complexos e, vazios, é o de povo. Eu sou o povo, você é o povo, o presidente (ou presidenta) do Brasil também é povo. Com a burguesia não seria diferente. Ela apresenta grupos internos com posturas diferenciadas e projeções bem diversas. O que vamos tentar nos nossos próximos encontros é compreender esses nuances, essas matizes de postura, projeto e participação.

“Ok, mas e quanto à participação popular?”

Está aí um grande desafio: o resgate da participação popular. Os populares são os que menos deixam registros. Eles são, em grande parte, os que mais movem os acontecimentos de grande impacto, como a Revolução que iniciamos o estudo, mas os que menos deixam nomes, discursos, nomes e marcas documentais. Contudo, sua participação é muito expressiva. É possível notar que tinham horizontes próprios, e que mesmo quando lutavam por pão apresentavam a sua leitura própria da realidade. Não sabemos o nome do primeiro que caiu na invasão da bastilha, tampouco os nomes daqueles que se aliançaram ao clero refratário na revolta da Vendéia, todavia sua participação é efetiva e indispensável para o desenrolar revolucionário.

“E a liberdade, igualdade e fraternidade?”

Bem, essa tríade que está representada na bandeira nacional francesa tornou-se uma boa maneira de compreender a influência dos valores iluministas e liberais no movimento. Convém lembrar que cada grupo compreenderá tal conjunto de uma forma. Para os camponeses que estavam presos a estruturas tradicionais de dominação o sentido de liberdade terá um sabor bem diferente daquele experimentado pela alta burguesia e demais setores. Ainda assim, é importante lembrar que a noção de os homens, em estado de irmandade, nascem igualmente livres, marca os ventos que da Europa sopraram sobre o ocidente.

Bem amigos, nos vemos nos próximos encontros e não se esqueça: “não vá se perder por aí!”



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