A cultura e os anos 60

Saludos amigos,

hoje nosso encontro tem uma proposta diferente. Uma das possibilidades que o novo Exame Nacional do Ensino Médio proporcionou foi o de tratar de assuntos relacionados às manifestações artísticas/culturais como registros de um tempo histórico. Mais do que um gancho um ou nariz de cera para o desenvolvimento das questões a serem exploradas, a análise culturalista passou a fazer parte das diretrizes do exame. Logo, temos que trabalhar e alimentar o nosso repertório para alcançarmos um bom resultado no exame. Assim sendo, trabalharemos aqui com uma proposta de reflexão acerca das manifestações culturais brasileiras na transição da década de 50 para a de 60.

Os anos 50 foram profundamente marcados pela emergência de uma nova estética musical: a Bossa Nova. Estilo novo, e desafiador, conquistou seguidores com sua proposta mais intimista baseada no “banquinho e violão”. Os antigos cantores das “multidões” perderiam, gradativamente, espaço para a manifestação dessa proposta que surgia na zona sul do Rio de Janeiro, entre os jovens de classe média da cidade. Segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira “Considerada uma nova forma de tocar samba, a bossa nova foi criticada pela forte influência norte-americana, traduzida nos acordes dissonantes comuns ao jazz. A letra das canções contrastava com as das canções de sucesso até então, abordando temas leves e descompromissados, definidos através da expressão "o amor, o sorriso e a flor", que faz parte da letra de "Meditação", de Tom Jobim e Newton Mendonça, e que foi utilizada para caracterizar a poesia bossa-novista.” Eram os “anos dourados” do governo Juscelino Kubitscheck, anos do nacional desenvolvimentismo, anos que pareciam anteceder uma onda natural de tranquilidade e gozo.

Contudo, o advento dos anos 60 marcaria a emergência de uma ebulição política, social e cultural. A renúncia de Jânio Quadros, a saída parlamentarista, o afastamento de João Goulart em 1964, acompanham uma intensa efervescência cultural. A Bossa Nova perde espaço para o surgimento de uma nova tendência, que se faria presente, principalmente, nos festivais da canção: a MPB.  A partir de meados dos anos 60 uma série de compositores e intérpretes iniciam um giro que os conduziria a novos ares de expressão artística. Já em 1965, no I Festival de Música Popular Brasileira, a canção vencedora – Arrastão – do jovem Edu Lobo e do já conhecido Vinícius de Moraes, apresentam uma nova temática e estética: aparecem novas referências melódicas e novos personagens, como o trabalhador e seus labores e aspirações. Do outro lado desse cenário outra vertente afirmava o seu espaço: a Jovem Guarda. Com nomes como Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Ronnie Von, Wanderley Cardoso, Sérgio Reis, entre outros, o “Iê Iê Iê” era tido como a música jovem. Influenciado pelo rock estadunidense representava um seguimento de massas que era visto por muitos como sinônimo da alienação. Os dois “seguimentos” musicais não dialogavam com grande empolgação. Inclusive foi realizada uma “Marcha contra as guitarras” para marcar a defesa da cultura “genuinamente nacional”, confira no vídeo abaixo:  

 

Nesse caldeirão de referências surge o Tropicalismo. O movimento que propunha apresentar uma intervenção crítica no cenário musical, e artístico, brasileiro, acabou por despertar a admiração de alguns, o ódio de outros e a incompreensão de muitos. Contando com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nara Leão, Torquato Neto, Capinam, Tom Zé, Mutantes, entre outros, o Tropicalismo deu suas caras a partir de 1967 e consolidou a sua postura com o lançamento do LP “Tropicália ou Panis et Circenses” em maio de 1968. Com uma postura crítica ácida, colocada no meio de metáforas bem trabalhadas (como a própria sugestão dada pelo segundo título que dá nome a uma canção de Veloso e Gil interpretada pelos Mutantes), o disco provocou uma recepção negativa entre aqueles que desejavam uma representação mais “nacional” da música brasileira. 1968 é um ano chave nesse processo. No Festival Internacional da Canção daquele ano Geraldo Vandré ganhara o segundo lugar com “Para não dizer que não falei de flores” ícone da canção de protesto brasileira (perdendo para Sabiá de Tom Jobim e Chico Buarque). Em dezembro do mesmo ano, no Festival Universitário da Canção, Caetano Veloso seria vaiado ao apresentar “É proibido proibir” (frase usada pelos estudantes franceses em sua rebelião em maio daquele ano) com a presença de guitarras elétricas. Indignado o cantor e compositor faz um discurso inflamado, que você pode conferir abaixo, apontando para a incompreensão do público para o fato de que o uso de guitarras não demonstrava alienação, tampouco aceitação do regime.

 

1968 é também o ano de aprovação do Ato Institucional nº 5 responsável pelo fechamento do Regime Militar Brasileiro, marcando o início dos “Anos de Chumbo”.

 

Olha aqui: Caiu no ENEM!

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43- A



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