Migrações brasileiras

Olá pessoal!

 

Hoje veremos como as migrações ocorreram no Brasil ao longo do séc. XX (período de grandes mudanças nas dinâmicas produtivas e, consequentemente, populacionais).

 

As migrações correspondem à solução entre os fatores atrativos (aqueles que motivam a chegada das pessoas a um espaço) e os fatores repulsivos (aqueles que são considerados razões para uma pessoa abandonar um espaço, mesmo que temporariamente).

 

Grandes ciclos migratórios brasileiros no século XX.

 

Industrialização  (décadas de 40 e 50)

O processo industrial brasileiro ocorreu extremamente concentrado na região Sudeste do país, reafirmando assim a sua posição de grande coração econômico do país. Obviamente, uma posição tão destacada trouxe um enorme volume de pessoas que chegavam em busca de melhores condições de vida (retratada na possibilidade de conseguir empregos, moradia e bom serviços).

O maior número de migrantes tinham origem no Nordeste, região que sofrera uma grande perda econômica e política ao longo da evolução econômica do país ( o grande ciclo do açúcar declino e o poder político da capital Salvador foi transferido para o Rio de Janeiro), contava com uma enorme quantidade de pessoas que precisavam de emprego e a buscaram através da migração para o Sudeste.

 

Crescimento do Centro Oeste (décadas de 60 e 70)

A ocupação da parte central do país (até então muito vazia) foi no período do governo J.K. e a importante construção de Brasília (responsável pala atração de migrantes durante a sua construção e consequentemente responsável pela permanência dessa mão de obra).

E pela enorme evolução tecnológica do campo brasileiro, que, ao adaptar a semente da soja ao clima tropical continental do Centro Oeste, trouxe muitos migrantes do Sul do país que chegavam atrás de enormes porções de terra com preços muito baixos se comparados aos se sua região de origem.

 

3° Inserção de novas atividades e maior integração do país (décadas de 80/90 - ...)

  • Crescimento de cidades médias: Pessoas que não desejavam mais conviver com os problemas típicos dos grandes centros urbanos (trânsito, violência, alto custo de vida...) buscaram nas cidades médias do interior, que ofertavam uma boa quantidade de serviços, contudo, ainda não apresentavam os problemas típicos do inchaço urbano.
  • Migração de retorno: Simboliza a volta da população de origem nordestina a sua região de origem. Esse processo é fruto do processo de desconcentração industrial que ocorreu no Sudeste, no qual muitas indústrias foram para o Nordeste e criaram empregos formais e consequente aumento de renda. A região Nordeste apresenta crescimento econômico médio maior que o índice brasileiro.
  • Expansão da fronteira agrícola: A chegada da soja e da pecuária à região Norte fez com que aumentasse o número de trabalhadores na região. Vale ressaltar que a região Norte apresenta importantes concentrações populacionais em torno de suas maiores cidades, Belém-Pará e Manaus-Amazonas , e atraiu trabalhadores para projetos como Zona Franca de Manaus e construção da transamazônia.

 

                O mapa abaixo mostra que as migrações atuais representam um país menos concentrado e cheio de novas atividades, contudo, a desigualdade regional e a forte concentração no Sudeste ainda são traços marcantes.

Como caiu no Enem?

 

(ENEM-2009) O movimento migratório no Brasil é significativo, principalmente em função do volume de pessoas que saem de uma região com destino a outras regiões. Um desses movimentos ficou famoso nos anos 80, quando muitos nordestinos deixaram a região Nordeste em direção ao Sudeste do Brasil. Segundo os dados do IBGE de 2000, este processo continuou crescente no período seguinte, os anos 90, com um acréscimo de 7,6% nas migrações deste mesmo fluxo. A Pesquisa de Padrão de Vida, feita pelo IBGE, em 1996, aponta que, entre os nordestinos que chegam ao Sudeste, 48,6% exercem trabalhos manuais não qualificados, 18,5% são trabalhadores manuais qualificados, enquanto 13,5%, embora não sejam trabalhadores manuais, se encontram em áreas que não exigem formação profissional.

O mesmo estudo indica também que esses migrantes possuem, em média, condição de vida e nível educacional acima dos de seus conterrâneos e abaixo dos de cidadãos estáveis do Sudeste.

Disponível em: http://www.ibge.gov.br. Acesso em: 30 jul. 2009 (adaptado).

 

Com base nas informações contidas no texto, depreende-se que

 

a) o processo migratório foi desencadeado por ações de governo para viabilizar a produção industrial no Sudeste.

b) os governos estaduais do Sudeste priorizaram a qualificação da mão-de-obra migrante.

c) o processo de migração para o Sudeste contribui para o fenômeno conhecido como inchaço urbano.

d) as migrações para o sudeste desencadearam a valorização do trabalho manual, sobretudo na década de 80.

e) a falta de especialização dos migrantes é positiva para os empregadores, pois significa maior versatilidade profissional.

 

 

 

 Gabarito:letra c.

 

Comentário: Com a maioria dos trabalhadores não qualificados a mão de obra vai receber, consequentemente, salários mais baixos com menor possibilidade de acesso às condições de infraestrutura urbana, podendo favorecer ao “inchamento” urbano, também caracterizado como “macrocefalia” urbana.

O texto enfatiza o significativo movimento migratório de uma região em direção a outras, exemplificando com o famoso movimento de nordestinos para o Sudeste. O autor põe em evidência o fato desse movimento ser famoso, e, portanto, de conhecimento significativo. Então poderíamos deduzir o fato não menos conhecido desse movimento ter-se direcionado principalmente para as cidades, fato que resultou num crescimento acelerado e não acompanhado no mesmo ritmo pela expansão da infraestrutura urbana. Dai a ideia de inchaço urbano. Em A, não houve a ação governamental para incentivar a migração; Em B, os estados não priorizaram o preparo técnico da mão de obra; Em D, poderíamos depreender que, ao invés da valorização do trabalho manual, houve, na realidade, uma desvalorização em face da maior concorrência do contingente migratório nordestino com a mão de obra já existente no Sudeste. E mesmo que houvesse uma valorização, seria ela que desencadearia a migração, e não o inverso, a migração desencadeando a valorização do trabalho, como enfatiza a alternativa D. Em E, a mão de obra sem especialização, ao contrario, limita a versatilidade profissional.

 



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