Estrutura Agrícola Brasileira: Relações de Trabalho no Campo

As relações produtivas agrícolas não se baseiam apenas nas técnicas e formas de cultivo, mas, também, nas relações estabelecidas entre produtor/empresa agrícola e trabalhador. As relações mais usuais são as seguintes:
A relação Assalariada é baseada na troca entre força de trabalho e remuneração (ou salário), em bases mensais. O trabalhador executa as tarefeas designadas e recebe seus salário. No Brasil devem ser respeitadas as regras trabalhistas rurais, historicamente, representadas no Estatuto do Trabalhador Rural (ETR), promulgado na gestão de João Goular, no ano de 1963.
A relação de Parceria apresenta múltiplas faces. Em regra, o trabalhador estabelece um parceria, na qual a força de trabalho é "trocada" por parte da produção ou do lucro. A relação mais comum é a do "meiero" em que o trabalhador fica com a metade da produção e o proprietário da terra com a outra, seria uma relação "meio a meio", por isso, "meieros".
A relação de Arrendamento é bem simples. O trabalhador paga um valor fixo por um período estipulado. funciona como um "aluguel" da terra, mas o pagamento apresenta algumas possibilidades como produção e trabalho.
A relação Temporária é uma das mais comuns. O trabalhador é "contratado" apenas por um dia para realizar o trabalho, receber um valor acertado e ser dispensado. Não há vínculos trabalhistas. O trabalhador mais conhecido dessa relação temporária é o "Bóia-fria", que se desloca, diariamente, de sua área de residência para o local do trabalho, se alimenta no local (come sua "bóia fria" ou comida fria) e retorna para casa no final do dia, sem vínculos.
A relação de "Escravidão por dívida" é ilegal e abusiva ao extremo. O trabalhador é enganado com uma proposta de trabalho por um tempo determinado. Porém, ao chegar no local de trabalho, ele deve passara noite e pagar por alimentação e hospedagem. Normalmente, os trabalhadores dormem e se alimentam em um "barracão" (depósito) e ficam endividados com o proprietário. No final do período de trabalho, o trabalhador fica "endividado" e não pode ir embora, ou seja, o proprietário cobra sua comida e abrigo e diz que o valor é superiorao seu "salário" e que ele deve trabalhar para pagar. Mas, o trabalhador nunca consegue quitar a sua dívida e se torna uma espécia de "escravo". Trabalha, come, dorme até morrer. Um absurdo ainda presente no campo brasileiro.

Agora, uma questão sobre o tema da postagem anterior (Sistemas de Cultivo), conforme havia prometido:

Enem 2010 (Q.03 - Caderno Amarelo)

A maioria das pessoas daqui era do campo. Vila Maria é hoje exportadora de trabalhadores. Empresários de Primavera do Leste, Estado de Mato Grosso, procuram o bairro de Vila Maria para conseguir mão de obra. É gente indo distante daqui 300, 400 quilometros para ir trabalhar, para ganhar sete conto por dia. (Carlito, 43 anos, maranhense, entrevistado em 23/03/98).

Ribeiro, H S. O migrante e a cidade, dilemas e conflito. Araraquara, Wunderlicht, 2001 (adaptado).

O texto retrata um fenômeno vivenciado pela agricultura brasileira na últimas décadas do século XX, consequência

a) dos impactos sociais da modernização da agricultura.

b) da recomposição dos salários do trabalhador rural.

c) da exigência de qualificação do trabalhador rural.

d) da diminuição da importância da agricultura.

e) dos processos de desvalorização de áreas rurais.

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIO:

Atualmente, as relações de trabalho na agricultura são predominantemente prejudiciais ao trabalhador rural comum. Tal aspecto resulta do intenso processo de modernização no campo que alterou as relações entre trabalhador e proprietário rural. Sabendo das relações existentes e do contexto de exploração do trabalhador, o candidato eliminaria a letra (b). A letra (c) está correta, mas não possui relação com o trabalhador retratado no texto. A letra (d) e (e) estão erradas pela mesma razão: as áreas rurais ou a agricultura continuam valorizadas, rendem bilhões, quem foi desvalorizado é o trabalhador. O item correto é a letra (a), o sistema de cultivo baseado em Empresas Agrícolas provoca impactos sociais sobre o campo, por exemplo, reduzindo oportunidades de trabalho em função da modernização e forçando o trabalhador a aceitar trabalhos mal remunerados e distantes, conforme apresentado no texto sobre Vila Maria.



@ copyright ( Sou + ENEM ) 2018. Todos os Direitos reservados.

Logo Webteria