Estrutura Agrícola Brasileira: Painel do Campo (Lei de Terras, Coronelismo, Vargas, J.K. e Ligas Camponesas)

A Agricultura brasileira tem sido marcada por um intenso processo de modernização ao longo da últimas décadas. Trata-se do agronegócio em que a agricultura e a pecuária compõem um negócio que movimenta bilhões em produção, distribuição e venda/consumo.

O processo de "modernização" do campo no Brasil remonta ao século XIX. Em 1850 foi criada a Lei de Terras que "inovou" algumas relações no campo pátrio. A lei determinou que terras devolutas ("vazias") passassem a ser do Estado, que o instituto da posse passaria a ser proibido (exceto em casos de usucapião) e que o aspecto mercantil (comercial) passaria a direcionar, com exclusividade, as relações no campo. Tal lei excluía o imigrante recém chegado (sem capital para comprar a terra), bem como possíveis escravos libertos. A lei foi, assim, concentradora e elitista, mas introduziu aspectos mais capitalistas e menos sociais no campo brasileiro.

No princípio do século XX, o campo brasileiro foi marcado por uma concentração ainda maior. O coronelismo da República Oligárquica (clique aqui e saiba mais com o professor Paulo Aprígio) propriciou o controle das terras pelo grandes "coronéis" (grandes proprietários) no Brasil. O camponês foi ainda mais excluído e passou a residir nos latifúndios em troca de seu voto, deturpando as bases democráticas do país, se votasse em quem o coronel mandava, continuava na terra.

Com Vargas, o trabalhador do campo não foi inserido nos processos democratizantes das áreas urbanas, assim como em J.K. e Janio Quadros. Somente João Goulart tentou atuar em prol dos camponeses com a Reforma Agrária e o Estatuto do Trabalhador Rural, mas foi deposto pelos militares brasileiros.

A questão da concentração no Brasil é tão grave que os movimentos sociais de luta pela distribuição de terra e Reforma Agrária remontam há décadas passadas. Um movimento de grande relevância ocorreu no nordeste brasileiro, são as Ligas Camponesas. As Ligas se organizaram no nordeste e lutaram pela Reforma Agrária durante os governos de Vargas e J.K. O movimento possuía o sologan "Reforma Agrária na Lei ou na Marra", mas não obteve sucesso, pois foi considerado subversivo pelos militares brasileiros pós-1964 e sofreram intensa perseguição e desmonte.

Agora, uma questão do ENEM sobre a postagem.

ENEM 2011, Questão 16 (Caderno Rosa)

Completamente analfabeto, ou quase, sem assistência médica, não lendo jornais, nem revistas, nas não ser em casos esporádicos, tem o patrão na conta de benfeitor. No plano político, ele luta com o “coronel” e pelo “coronel”. Aí estão os votos de cabresto, que resultam, em grande parte, da nossa organização econômica rural. O coronelismo, fenômeno político da Primeira República (1889-1930) tinha como uma de suas características o controle do voto, o que limitava, portanto, o exercício da cidadania. Nesse período, esta prática estava vinculada a uma estrutura social

a) igualitária, com um nível satisfatório de distribuição da renda.

b) estagnada, com uma relativa harmonia entre as classes.  

c) tradicional, com a manutenção da escravidão nos engenhos como forma produtiva típica.

d) ditatorial, perturbada por um constante clima de opressão mantido pelo exército e polícia.

e) agrária, marcada pela concentração da terra e do poder político local e regional.

COMENTÁRIO E RESOLUÇÃO:

As letras (a) e (b) podem ser eliminadas pelos termos, respectivamente, "igualitária" e "harmonia entre as classes" que estão presentes e são errados no contexto de República Oligárquica. A letra (c) apresenta a escravidão, mas já havia sido abolida. A letra (d) apresenta a condição ditatorial, que está errada. O gabrito é letra (e), como vimos na postagem a realidade coronelista do campo pátrio.

 

 

 



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