Estrutura Agrícola Brasileira: Painel do Campo (Anos 90, Complexos, Corredores Agrícolas e Impactos)

Os anos 90 foram marcados pelo aprofundamento do grande capital no campo nacional. O governo federal adotou com política de Estado o estímulo à agricultura dos chamados cultivos de "rico" (que possuem alto valor no mercado internacional) e promoveu investimentos para viabilizar o crescimento do setor. Foram consolidados diversos corredores e complexos agrícolas pelo país. 

Vejam os principais Complexos e Corredores para o escoamento produtivo:

Complexo Canavieiro: concentra-se em São Paulo (maior produtor com destaque para Ribeirão Preto), seguido por Paraná, Minas, Pernambuco e Alagoas. O Brasil é o maior produtor do mundo e o ritmo de produção vem crescendo, sobretudo com a demanda crescente de bicombustíveis.

Complexo Cafeeiro: liderado por Minas Gerais (destaque para as Terras Altas do sul, para o Triângulo e Zona da Mata) e seguido por ES, SP, BA e PR. O Brasil é o maior produtor de café do tipo arábica, que corresponde a 70% do consumo mundial. O Brasil é o líder em oferta desse tipo de café (mais fraco que o tipo robusta) e o segundo lugar em exportação de café solúvel, atrás da Alemanha.

Complexo da Soja: é extenso e atinge inúmeros estados brasileiros, inicialmente encontrado no RS e PR, após inovações tecnológicas realizadas pela EMBRAPA foi expandido por quase todo território, atinge atualmente a Amazônia, inclusive afetando o cultivo de arroz. Destaque para o MT (Sorriso), PR, GO e MS.

Complexo Cítrico: cresceu significativamente na década de 80 com as quebras de safras dos EUA, sobretudo da Flórida. A citricultura está concentrada em SP (destaque para Bebedouro e Guariba), BA, SE e MG. Um aspecto importante é o destino concentrado nos EUA.

Complexo do Milho: no Brasil era o mais importante dos grãos até a década de 90 e o grande crescimento da soja. A EMBRAPA tem potencializado as áreas de cultivo no Brasil os milharais estão espalhados pelo território com destaque para os estados de PR, MG, MT e SP.

Complexo da Triticultura: pouco expressivo no Brasil, isso porque o trigo demanda condições naturais muito especificas para ser altamente produtivo, condições essas encontradas na Argentina e no Canadá. No Brasil, concentra-se nos estado do PR e RS.

Complexo Algodoeiro: o algodão arbóreo (com melhor fibra e de maior aceitação no mercado) está concentrado no sertão, em PI, PE e CE, mas devido à pouca mecanização não é muito competitivo. Assim, o herbáceo, concentrado em MT, BA, GO e SP, mais moderno (mecanizado), apresenta maior relevância na pauta exportadora.

Complexo Rizicultor: está concentrado em São Paulo, nos cultivos irrigados do Vale do Jacuí, e nos estados do MT, SC e MA. Entretanto a área de maior interesse está nas bordas de expansão da soja na Amazônia. A rizicultura está ligada a impactos socioambientais e mudanças na cobertura e o uso do solo na Pré-Amazônia Matogrossense.

No Brasil, o crescimento expressivo e o ganho de produtividade dos produtos considerados "modernos", como a soja e o milho, ofuscaram o desenvolvimento de culturas alimentares "tradicionais", como o arroz, a mandioca e o feijão. É expressiva a situação do arroz, cuja distribuição dos cultivos, está ocupando a franja setentrional, já adentrando terras pré-amazônicas.  Os novos processos que vêm se desenvolvendo nessa região vêm trazendo consigo, ao lado do crescimento econômico, problemas sócio ambientais que necessitam de soluções para orientar o desenvolvimento regional e garantir a qualidade de vida da população que ali se instala.

Complexo Frutícola do Vale do São Francisco: apresenta grande relevância no cenário brasileiro, há na região uma parceria de pequenos e médios produtores com grandes empresas agrícolas e participação estatal

Para atender esses complexos, existem corredores de escoamento. Embora as redes de circulação e escoamento sejam relativamente variadas, a maior parte delas gera grande oneração no custo dos produtos. Tal elevação é resultado do péssimo estado de conservação das rodovias, do elevado gasto com rodovias bem conservadas, mas privatizadas (cobram pedágio), do subaproveitamento de hidrovias com portos obsoletos e mal dragados, da carência de ferrovias e ainda da diferença de bitolas entre as ferrovias existentes que dificultam a conexão entre as mesmas. Vejam os principais corredores:

 (liga RS, SC, PR, MS, MT e PA, também conhecida como Cuiabá-Santarém), BR 364 (liga SP, MG, GO, MT, RO e AC, possui interseção com a BR-163 e cruza o Rio Madeira) e ferrovia Ferronorte (ou Ferrovia Norte Brasil, criada com propósito de interligar o extremo norte com o porto de Santos);

• BR 364 e hidrovia dos rios Madeira e Amazonas (banha os estados de Rondônia e Amazonas, nasce na Bolívia);

• BR 174 (cruza os estados do Amazonas, Roraima e termina na Venezuela, cruza a reserva indígena de Waimiri-Atroari), que liga Roraima a Manaus;

• BR 163 (liga RS, SC, PR, MS, MT e PA, também conhecida como Cuiabá-Santarém) e suas conexões para os portos de Paranaguá (através da rodovia 277 ou chamada de “Grande Estrada” no Paraná) e Santos (pela BR 277 e BR 101);

• Estradas (BR 230, transamazônica; BR 163; BR 222, que liga o Ceará ao Pará e BR 316, que liga AL, PE, PI, MA e PA)) para escoar a produção do leste do Pará (região de Paragominas, nas margens da Belém/Brasília – BR010 –  no Pará) pelo porto de Belém;

• E F Carajás, que escoa a produção do sudeste do Pará e sul do Maranhão pelo porto de Itaquí (MA);

 Agora, uma questão do ENEM resolvida sobre o tema da postagem:

 



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